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  Título
A Revitalização do Cangaço no Cinema Brasileiro Contemporâneo
Autor
Marcelo Dídimo Souza Vieira
Resumo Expandido
O Cangaço foi retratado no cinema brasileiro em épocas distintas e de diversas formas. Os primórdios dos filmes abordando essa temática foram realizados a partir da década de 1920. O Cangaço se consolidou como gênero, o Nordestern, nos anos 1950, quando vários filmes passaram a retratar o tema com características comuns, utilizando o Western como referência. A comicidade trabalhou o Cangaço de forma satírica e alguns documentários foram produzidos ao longo desses anos. Glauber Rocha, um dos expoentes do Cinema Novo, também enveredou pelo tema com filmes de caráter simbólico. Na década de 1990, alguns filmes fizeram novas leituras na chamada “retomada” do cinema brasileiro.

Em meados da década de 1990, o Nordeste passou a ser revisitado por cineastas interessados em retomar a temática do Cangaço, que muito sucesso fez em décadas passadas e se consolidou como um gênero tipicamente brasileiro. Três filmes renovaram o tema: Corisco e Dadá (Rosemberg Cariry, 1996), Baile Perfumado (Paulo Caldas e Lírio Ferreira, 1997) e O Cangaceiro (Aníbal Massaíni Neto, 1997).

Um gênero que teve seus primórdios nos anos 1920, criou raízes na década de 1950, se fortaleceu a partir de 1960, entrou em crise na década seguinte, mas deu a volta por cima e ressurgiu nos anos 1990, não poderia simplesmente desaparecer no novo milênio. O que ficou conhecido como o período pós-retomada fortaleceu o cinema brasileiro, mas o gênero Cangaço somente foi reaparecer nos anos 2010: Os Últimos Cangaceiros (Wolney Oliveira, 2012); Aos Ventos que Virão (Hermano Penna, 2014); e A Luneta do Tempo (Alceu Valença, 2016).

O primeiro filme a ser realizado nesse milênio foi o documentário de Wolney Oliveira. Assim como os outros documentários – no entanto, esse é o primeiro longa-metragem – produzidos sobre o tema, as imagens históricas de Benjamin Abrahão são reapresentdas pelo filme, com um diferencial, foram coloridas digitalmente. O documentário traz a história de um casal de cangaceiros que sobreviveu ao massacre de Angicos, onde Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram assassinados. A fim de preservar sua verdadeira identidade, o casal viveu no ostracismo por décadas, revelando suas verdadeiras origens aos amigos e familiares no final da década de 2000. O cineasta passou meses acompanhando o casal para registrar essa história fascinante em sua película.

Hermano Penna, que realizou alguns documentários sobre o Cangaço na década de 1970, retomou sua abordagem ao gênero em 2014, com o filme Aos Ventos que Virão, sua primeira obra de ficção sobre o assunto. Os docudramas realizados para o Globo Repórter décadas antes serviram como fonte de pesquisa para o realizador. A narrativa retrata um Cangaço político, em que um jovem cangaceiro deixa o sertão nordestino para morar em São Paulo após a morte de Lampião. Anos depois, o ex-cangaceiro retorna à cidade natal e se envolve com a política local, fica inconformado ao descobrir atos de corrupção a passa a ter atitudes agressivas, retomando sua vida de cangaceiro e defendendo os injustiçados.

Em 2016, o famoso músico nordestino Alceu Valença lançou A Luneta do Tempo, o primeiro trabalho do artista como cineasta. O filme levou 14 anos para ser concluído, em meio a dificuldades de se fazer cinema no Brasil – que não são de hoje – e à inexperiência pessoal de Valença na arte cinematográfica. A história é um relato ficcional poético sobre as aventuras e infortúnios do célebre casal de cangaceiros Lampião e Maria Bonita. Desprovido de qualquer compromisso de reconstrução histórica, o filme abusa da linguagem popular nordestina – cordel e repente – para construir sua narrativa e retrata, de forma bastante alegórica, um sertão distante e lúdico.

A importância dessa produção está no fato de que, devido a uma diversidade de filmes realizados com temas variados, o Cangaço se faz presente como forma de revitalizar o assunto de uma maneira diferenciada, o que também reflete a importância do gênero para o cinema brasileiro.
Bibliografia

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