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  Título
GIFs sobre "cinemas de rua", loops projetados: visualismo in progress
Autor
Wilson Oliveira da Silva Filho
Coautor
Márcia Bessa (Márcia C. S. Sousa)
Resumo Expandido
Assistidos na tela pequena dos celulares, tablets e computadores os GIFs podem ganhar novas leituras quando exibidos na sala de cinema. O formato GIF, existente desde o final dos anos 1980, estava quase sempre associado a uma definição de imagem baixa até que as mídias sociais os disseminaram. Arquivos leves e feitos para serem assistidos na tela pequena e em loop, rapidamente se transformaram em uma nova possibilidade visual. A partir do work in progress, "Antropofagif" (um filme que está sendo realizado com GIFs), do DUO2X4, coletivo formado por Márcia Bessa e Wilson Oliveira Filho, em particular de uma sequência que homenageia os "cinemas de rua" cariocas e a projeção cinematográfica, tentamos nessa apresentação mostrar, problematizar e refinar algumas questões que os próprios trabalhos de campo e artístico têm nos colocado. A primeira diz respeito a própria produção de GIFs sobre as salas de cinema urbanas ainda em atividade – recorrendo a material de arquivo, mas também a imagens atuais desses espaços de exibição. Investigamos ainda como projetar GIFs na tela grande ou em outras superfícies como as fachadas dos próprios "cinemas de rua". E, por fim, tentamos através das artes da projeção (EAMON; DOUGLAS, 2006), nessa cultura das telas globalizadas, lançar alguma luz sobre os "visualismos" contemporâneos e as "estéticas da transmissão". Os distintos trânsitos e passagens entre fotografia e cinema mostram também como o projetor se torna uma ferramenta importante para além dos filmes. O GIF se inclui na transformação digital das imagens, em um terreno de “documentos que são instâncias tão concretas dos passados-presentes [...] que atuam como uma espécie de máquina do tempo” (PARIKKA, 2013, p. 09). A arte contemporânea foi e está sendo recriada nos cinemas experimentais, na videoarte, nas redes e no vjing. E o "cinema de rua" pode resistir em tipologias outras mais integradas às novas tendências do mercado cinematográfico, das sociabilidades urbanas e dos hábitos do espectador da atualidade.

Na mesma época em que os Graphics Interchange Formats se alastravam pela rede mundial de computadores, as salas de cinema citadinas eram colapsadas dos municípios brasileiros. Nesse processo desaparece não somente o edifício, mas também uma experiência fortemente marcada pelo espaço público compartilhado e pela arquitetura do cinema que definiam (ou definem) rituais específicos (VIEIRA; PEREIRA, 1982) para a frequentação e a espectação cinematográficas. A maior parte dos "cinemas de rua" foi vendida e adquiriu novos usos. Algumas poucas salas ainda permanecem fechadas, deteriorando-se. Em número infinitamente mais reduzido temos construções que figuram dentre os cinemas reformados ou inaugurados. Ressaltamos a permanência de algumas dessas salas tradicionais e pensamos em um projeto de ação que permeie discussões e iniciativas que privilegiam a convivência de diferentes formatos de exibição cinematográfica no âmbito da cidade.

O GIF se situa na relação entre arte e cinema ou na “possibilidade de um cinema que é simultaneamente o mesmo, mas é também outro, como em um deslocamento que cria uma tensão entre o cinema dominante e seus desvios” (PARENTE, 2013, p. 27). O loop interiorizou-se nos artistas já na Renascença e desde então passeia pela história da arte. Toda tecnologia engendra novos ambientes, como já apontava Benjamin, compreendendo que “a arte contemporânea será tanto mais eficaz quanto mais se orientar em função da reprodutibilidade e, portanto, quanto menos colocar em seu centro a obra original” (1994, p. 180). O loop torna-se uma espécie de “engrenagem narrativa” (MANOVICH, 2001, p. 314), um outro ambiente para realizações artísticas atualizado pelas novas mídias. Essa engrenagem, quando nos deparamos com imagens dos próprios "cinemas de rua" em GIFs - que compõem um futuro filme -, mostra como a reprodutibilidade técnica se transforma em remix.
Bibliografia

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. SP: Brasiliense, 1994. Vol. I.

BESSA, Márcia [Márcia C. S. Sousa]. Santa Teresa e Nova Brasília... Projeto de pesquisa [Pós-Doutorado]. CIEC-ECO/UFRJ. RJ, 2017.

DOUGLAS, Stan; EAMON, Christopher (Eds.). Art of projection. Ostfiledern: HatjeCantz, 2009.

FILHO, Wilson O. S. Dos trípticos aos GIFs... Projeto de pesquisa [Pós-Doutorado]. ECO/UFRJ. RJ, 2017.

GONZAGA, Alice. Palácios e poeiras. RJ: Record, 1996.

LUCA, Luiz. G. A. O futuro do cinema. Filme Cultura – Vanguarda e inovação, nº. 54, maio/2011, p. 19-22. 2011.

MANOVICH, Lev. The language of new media. Massachussets: The MIT Press, 2001.

PARENTE, André. Cinemáticos. RJ: +2 Editora, 2013.

PARIKKA, Jussi. Archival Media Theory – Introduction. In: ERNST, Wolfgang. Digital memory and the archive. Minnesota: Univ. Minnesota Press, 2013.

VIEIRA. João Luiz; PEREIRA, Margareth C. S. Espaços do sonho: cinema e arquitetura dos cinemas no Rio de Janeiro 1920-1950 - [Pesquisa Embrafilme/Cinetema], RJ, 1982.