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  Título
Estética e formas de representação em Uma aventura no Semiárido (2016)
Autor
Carla Conceição da Silva Paiva
Resumo Expandido
Uma Aventura no Semiárido (2016), realizado pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), com direção de Marcos Velasch e roteiro de Antônio Ivo, utiliza a técnica de flashback numa situação de contação de história para crianças de uma escola localizada na região do Semiárido Juazeirense para retratar a aventura de dois bruxos malvados e atrapalhados, Horrorozimbo e Malagueta. Esses dois personagens ganharam, finalmente, a competição anual de maldades, que reunia milhares de bruxos e bruxas de vários locais com o sonho de ganhar o valioso prêmio, uma “viagem”, sendo que o local escolhido por eles para as férias foi o Semiárido Brasileiro - SAB.



Ao chegarem ao seu destino, Horrorozimbo se decepciona com o lugar, afirmando que o Semiárido é horrível, pois preferiria ver o mar, alpes, cordilheiras, ou seja, algo bem distinto da biodiversidade da região. Por outro lado, Malagueta demonstra mais animação com a viagem, tentando convencer o amigo a perceber as potencialidades e diversidades do local. Os dois bruxos caminham por esse espaço e, ao longo do percurso, assistimos a vivência de outros personagens reais e depoimentos na forma de entrevistas, perceptivelmente, ora direcionadas ou não, feitas com moradores, especialistas e pesquisadores que realizam trabalhos acerca da região na perspectiva da Convivência.



É assim que essa produção reúne elementos ficcionais e documentais, abordando a temática da Convivência com o Semiárido e empregando uma linguagem lúdica, recorrendo à elementos estéticos da palhaçaria e da fantasia em uma mistura de personagens fictícios e reais. A lógica da Convivência com o Semiárido se apresenta como um novo paradigma, uma nova dinâmica social, cultural e educativa, em que se (re)configura não só a percepção dos espaços e tempos que coexistem nesse território, como também o lugar das pessoas e das imagens produzidas sobre esse ambiente, modificando não só ações políticas como também a dinâmica de produção de conhecimento sobre o Nordeste. Uma proposta que contrasta com a ideia de Semiárido Brasileiro, historicamente, tratado como um espaço homogêneo, olhado a partir da existência de determinadas condições climáticas, como a seca e a caatinga, que serviram como base para a implementação de políticas públicas que conferiram prioridade ao combate à seca, entendendo que a acumulação de águas provenientes das chuvas em grandes reservatórios seria a forma mais adequada de garantir o abastecimento humano e animal na região, por exemplo.



Face ao exposto, nosso objetivo é analisar o discurso produzido nessa produção sobre o Semiárido Juazeirense e sua relação com as Políticas Públicas da Convivência com o Semiárido que estão sendo implementadas na região desde o final dos anos 1990, a partir da ação dos movimentos e organizações sociais do Semiárido, que revisaram os diversos discursos sobre o poder social, como a própria ideia de submissão do ambiente rural ao urbano. De acordo com Reis e Carvalho (2011), essas ações viabilizam o surgimento de um modelo político, econômico e social alicerçado no bem viver dos povos e na sustentabilidade de seus modos de vida, contemplando elementos da realidade local e dos sujeitos em suas inteirezas.
Bibliografia

ALBUQUERQUE JÚNIOR, D. M. de. A invenção do Nordeste e outras artes. 2 ed. Recife: FJN, Ed. Massangana; São Paulo: Cortez, 2003.



DEBS, S. Cinema e literatura no Brasil: os mitos do sertão, emergência de uma identidade nacional. Fortaleza: Interarte, 2007.



HOLANDA, Karla. Documentário nordestino: mapeamento, história e análise. São Paulo: Annablume, 2008.



NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. 6ª ed. Campinas: Papirus, 2016.



REIS, Edmerson e CARVALHO, Luzineide Dourado (Org.). Educação contextualizada: fundamentos e práticas. Juazeiro: UNEB Campus III; NEPEC/SAB; MTC; CNPq, 2011.



RESAB, Secretaria Executiva. Educação para a convivência com o semi-árido: reflexões teórico-práticas. Juazeiro: Secretaria Executiva da Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro, 2004.