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  Título
NEPA: EXPERIÊNCIAS VISUAIS E POÉTICAS COM AUDIOVISUAL
Autor
Rosiane de Jesus Dourado
Resumo Expandido
INTRODUÇÃO:As práticas educativas com audiovisual na escola têm se tornado cada vez mais frequentes. O cinema é o principal meio pelo qual elas ocorrem. Na educação contemporânea, há algumas perspectivas de abordagens que tendem a estabelecer novos paradigmas para as práticas e o ensino do e com o cinema na educação, sendo as principais: o cinema como caminho para experiências culturais e o cinema como arte, sem distinção de valor em relação a outras artes. Nessas perspectivas, o cinema, então, passa também a ser meio de integrar a cultura audiovisual nos processos educativos. Na perspectiva de Alain Bergala, em sua “hipótese-cinema”, na qual celebra o fundamento estético do cinema, nos inclinamos também a pensar a relação cinema-escola: A arte no cinema não é ornamento, nem exagero, nem academicismo exibicionista, nem intimidação cultural. Esse tipo de atitude é, inclusive, o que existe de mais prejudicial ao cinema como arte verdadeira e específica. A grande arte no cinema é o oposto do cinema que exibe uma mais-valia artística. (BERGALA, 2008, p.47). Essa perspectiva nos direciona a pensar que o cinema na escola não é uma ação de acomodação, mas de ressignificação da própria escola e também do cinema, evitando os lugares comuns que não produzem experiências criativas e sensíveis. O NEPA abriga atividades e projetos educativos com audiovisual no CPII campus Centro. De oficinas de animação a projetos de Iniciação Artística e Cultural, a relevância desse projeto também é dada pelo interesse dos alunos por novas experiências com arte; dos professores, por oferecerem propostas diferentes das aulas regulares e que contribuam ainda mais para a visibilidade da área de conhecimento artístico; e pela crescente demanda por uma continuidade no estudo e nas práticas das linguagens artísticas dos alunos do segundo e terceiro anos do Ensino Médio .

OBJETIVOS: O NEPA visa promover o desenvolvimento artístico, estético e intelectual do aluno através da pesquisa e da produção audiovisual; fomentar a análise crítica das produções profissionais veiculadas nas mídias e em eventos de audiovisual; oferecer experiências com softwares, tratamento de imagens, editores de vídeo e de áudio; despertar o interesse pela pesquisa das técnicas, dos materiais, dos procedimentos e das possibilidades narrativas em animação; incentivar e apresentar ferramentas técnicas e tecnológicas para a criação de curtas de animação pelo/a aluno/a-pesquisador/a.

METODOLOGIA: A primeira fase do NEPA teve o cinema de animação como propulsor de aprendizados e práticas em audiovisual. A partir de 2016, começou o primeiro projeto de Iniciação Artística e Cultural, e a partir do desenvolvimento desse, o NEPA ampliou o escopo de estudo e de pesquisa, tornando-se o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Audiovisual. Na segunda fase, foram iniciadas aproximações com a área de Sociologia e parcerias com a área de Música. A interdisciplinaridade foi uma necessidade e é uma possibilidade de compartilhar e integrar conhecimentos, saberes, numa experiência de partilha do sensível (Rancière, 2015). Desenvolvemos a experimentação artística e a discussão sobre aspectos da realidade que geram argumentos ou motivos para as produções audiovisuais. Estabelecemos importantes discussões sobre o tempo, padrões e regras sociais, as mulheres na sociedade e o feminino, que servem para a organização de ideias e para representações visuais e escritas daquilo que foi pensado e comentado. RESULTADOS Na primeira fase, verificamos que os alunos com altas habilidades para a área de conhecimento em Artes colaboraram em igualdade de importância com os demais colegas nas produções coletivas. Na segunda fase, o NEPA tornou-se um Grupo de Pesquisa, incluído no Núcleo de Artes e Cultura do campus Centro. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Enquanto grupo de pesquisa, o NEPA se direciona, agora, para o desejo de ampliar a rede de saberes do campus Centro e fora desse, procuramos estabelecer diálogos pedagógicos e artísticos.
Bibliografia

BERGALA, Alain. A hipótese-cinema: Pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola. Rio de Janeiro: Booklink; CINEAD-LISE -FE/UFRJ, 2008.

PIAGET, J. Estudos Sociológicos. Rio de Janeiro: Forense, 1973.RANCIÈRE, J.

A partilha do sensível: estética e política. Tradução de Mônica Costa Netto. São Paulo: Editora 34, 3ª reimpressão, 2015.

______.O Espectador Emancipado. Lisboa: Orfeu Negro, 2010.

______. O mestre ignorante: cinco lições sobre emancipação intelectual. Tradução de Lilian do Valle. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.