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  Título
A Direção de Arte e as Águas dos Sentidos em Tarkovsky
Autor
Ivan Ferrer Maia
Resumo Expandido
A Direção de Arte pode estar presente no audiovisual por meio de elementos plásticos que aludem, pelo menos, a três tipos de categorias: o funcional; o belo; e o conceitual. Essa classificação tem como principal referência os estudos da imagem de Rancière (2009). O filósofo francês estabelece três regimes para a imagem: o ético; o poético; e o estético.



Assim, a primeira categoria da Direção de Arte, a funcional, é pragmática ou apenas operacional. Na categoria do belo, a Direção de Arte ganha destaque pela qualificação formal (cor, textura, pontos, linhas, planos e volumes), a partir de um ideal de beleza. A categoria conceitual apresenta elementos da Direção de Arte de maneira subversiva, ou seja, o significado não está vinculado à natureza funcional do elemento plástico visível.



Numa produção de audiovisual, essas três categorias da Direção de Arte são contempladas, no entanto, uma ou mais dessas categorias ganham maior ou menor evidências. Nas obras de Andrei Tarkovsky, por exemplo, a categoria conceitual recebe destaque, sem perder a poética dos elementos da Direção de Arte. Nos filmes de Tarkovsky, entre eles, Solaris (1972), Stalker (1979), Nostalgia (1983), o signo “água” é recorrente. Ela está presente em forma de chuva, poças, goteiras e lágrimas. Muitas vezes, ela aparece em momentos tensos e melancólicos. A "agua" adere às narrativas de Tarkovsky camadas de linguagem poética e conceitual, inserida nos filmes dentro de um contexto sócio-político do diretor russo.



Dessa forma, pretendemos com essa proposta, apresentar como a estética da “água” transita nas obras de Tarkovsky e é utilizada pela Direção de Arte para atribuir significados sensíveis e conceituais, indo muito além de significados diretos e despertando um novo sentir (Perniola, 1993).
Bibliografia

BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

JALLAGEAS, Neide. Tarkóvski + Floriênski: o cinema sob a perspectiva inversa. São Paulo: Kinoruss Edições e Cultura, 2017.

PERNIOLA, Mario. Do sentir. Lisboa: Editorial Presença, 1993.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível. São Paulo: Ed. 34, 2005.

TARKOVSKI, Andrei. Esculpir o tempo. São Paulo: Martins Fontes, 1998.