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  Título
1968: Paulo Emílio e o diabo solto, a tolice e os incentivos.
Autor
Adriana Mabel Fresquet
Resumo Expandido
Podemos afirmar que quando Ismail Xavier fala que Paulo Emílio Sales Gomes foi sempre um intelectual com consciência de seu “lugar de fala” e de suas circunstâncias isso também inclui seu lugar de professor, para além de qualquer espaço de sala de aula. Isto é, as reflexões publicadas em diferentes jornais da época, trazem luz para refletir sobre a censura e seu papel inibitório nos avanços do cinema, na qualidade de sua produção e no diálogo com o público. Tomaremos três artigos escritos em 1968 para refletir sobre sua potência pedagógica em círculos de intelectuais, críticos, cineastas e estudantes da época.

Eles foram publicados em A Gazeta e são: “Brasília: O Diabo solto no cinema”, “Tolice x La Chinoise” e “Roberto Campos em ritmo de aventura”. Entre tantas publicações, este recorte é suficiente para problemáticas a força crítica e criativa do seu pensamento que a partir do cinema nos obriga a tomar consciência da distração colonial dos países do sul.

Desde que o cinematógrafo dos Lumière foi introduzido em 1896 por Gabriel Veyre que organiza exibições em Buenos Aires, México, Rio de Janeiro, Montevideo, Guatemala e Santiago de Chile. Lumière tentava se adiantar aos interesses comerciais de Thomas Alva Edison. Esse seria um marco que só se metamorfosearia com outros nomes e conglomerados de poder. Paulo Emílio já sabia. Como estudante de filosofia, já em 1943, escreveu para a coletânea Plataforma da nova geração alertando que para se ter uma ação política consequente era necessário conhecer a formação do país que constitui o contexto imediato de qualquer intervenção evitando ficar em conceitos, generalizações sem cotejar com a realidade que se vive no aqui e agora. Para o crítico, era fundamental esse corpo a corpo não dogmático com a ordem social e cultural que se habita.

Nos anos 50 já se aprofundava a crise em América Latina devida à estabilização dos mercados internacionais que faziam cair os preços das matérias primas e deterioram o intercambio comercial entre os países de América do Sul.

Desde 1960, na sua comunicação na I Convenção Nacional da Crítica Cinematográfica, começa analisar a insatisfação dos críticos com o cinema brasileiro e a frustração generalizada dos cineastas pela precariedade das condições de trabalho. Sua denúncia da situação colonial já apontava para uma política econômica de feição neocolonial do cinema dominado pelo cinema fundamentalmente hollywoodiano.

Nas suas palavras: "não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos da cultura original, nada nos é estrangeiro.pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro"

Com o avanço dos anos 60 o cinema embora realizado pelo intelectuais de classe média e média alta, enfrentou as questões populares e as projetou nas telas. é nesse período que esses três artigos são publicados e cuja dimensão pedagógica pretendo explicitar e problematizar.
Bibliografia

CALIL, Carlos Augusto. Paulo Emílio Sales Gomes. Uma situação colonial? São Paulo: Comoanhia das letras. 2016.

SOBERÓN TORCHIA, Édgar. Los cines de América Latina y el Caribe. La Habana: Ediciones EICTV, volumes I e II, 2012.