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  Título
A vigilância no cinema documentário contemporâneo
Autor
Viviana Echávez Molina
Resumo Expandido
Nas últimas décadas imagens provenientes de contextos de vigilância inundam a mídia e o cinema (MACCAHILL, 2012; ZIMMER, 2015). A quantidade de material audiovisual produzido neste contexto aumentou exponencialmente logo depois do 9 de setembro de 2011, quando os Estados Unidos da América radicalizaram suas medidas de vigilância em nome da segurança nacional, medidas que foram sendo estendidas ao resto do globo. Com a super produção desse tipo de imagens surgem desafios a cineastas e artistas para dar novos e múltiplos sentidos a estas.



Existe uma produção de documentários que está refletindo sobre a vigilância como fenómeno que define as sociedades contemporâneas a partir de diferentes estratégias estéticas. Nesta comunicação focaremos a análise na utilização da compilação, de narrativas em primeira pessoa onde o diretor ou diretora relata a experiência de estar sob vigilância, da autoreflexividade e a utilização de estratégias de resistência e contra vigilância que pretendem desmascarar o lado oculto da vigilância muitas vezes apresentada como entretenimento.



As ciências sociais, o direito e a tecnologia são os campos que, historicamente, têm tratado assuntos referentes à vigilância, mas nas últimas décadas com o surgimento do Surveillance Studies, um domínio que está lutando para ser reconhecido como campo de estudos interdisciplinar (LYON, 2012), a análise da vigilância como fenómeno social está sendo tratado desde novas perspectivas. As relações entre cinema e vigilância vêm sendo pesquisadas especialmente desde a década de 2000. A grande maioria de artigos e textos publicados estabelece, analisa e discorre sobre a vigilância como tema e estrutura especialmente no cinema de ficção. Autores como Catherine Zimmer, Dietmar Kammerer, J.McGregor Wise, Thomas Y Levin são de especial importância para nossa pesquisa.



Através da análise fílmica de documentários produzidos a partir do ano 2000 como Imagens da Prisão (Harun Farocki, Alemanha, 2000), Tearoom (William E. Jones, EUA, 2007), Erasing David (David Bond, UK, 2007), Aterro do Flamengo (Alessandra Bergamaschi, Brasil, 2011) e Citizenfour (Laura Poitras, EUA, 2014) se dilucidarão algumas relações entre o cinema documentário contemporâneo e a vigilância.
Bibliografia

BLÜMLINGER, C. (2013), Cinéma de seconde main: Esthétique du remploi dans l’art du film

et des nouveaux médias. Paris: Klincksieck.

BRUNO, F. (2013), Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade.

Porto Alegre: Sulina.



LEVIN, T. Y. (2002), Rhetoric of the Temporal Index: Surveillant Narration and the Cinema of

‘Real Time’. In: CTRL[SPACE]:Rhetorics of Surveillance from Bentham to Big Brother.

Cambridge, MA: MIT Press.

LYON, D., HAGGERTY K., BALL K. (2012) Introducing Surveillance Studies In: Routledge handbook of surveillance studies / edited by David Lyon, Kevin D. Haggerty and Kirstie Ball. Nova York.

MCCAHILL, M. Crime, surveillance and the media. In: Routledge handbook of surveillance studies / edited by David Lyon, Kevin D. Haggerty and Kirstie Ball. Nova York.

MCGREGOR WISE, J. (2016), Surveillance and Film. Nova York: Bloomsbury Academic.

ZIMMER, C. (2015), Surveillance Cinema. New York: New York University Press.