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  Título
Filme-ensaio e subjetividade
Autor
Francisco Elinaldo Teixeira
Resumo Expandido
Os processos de criação de filmes-ensaio se intensificaram na cultura audiovisual contemporânea, com um traço característico que é a inscrição da subjetividade do ensaísta enquanto modo de singularização de seu próprio ato de pensamento. Ou seja, nesse território/domínio ou concepção da realização fílmica, a presença do realizador é um elemento/material fundamental do processo de criação, indicador de um ato de pensamento que lhe é imanente. A princípio tratado de maneira genérica como modo "performativo" ou "poético", tal relevo da subjetividade se intensificou e operou através das presenças em corpo e voz do ensaísta, ou com a contaminação de ambas. Mas há um terceiro modo de inserção da presença subjetiva que, na investigação em curso, poderemos nome de criação de "intercessores"/"personagens conceituais" e que prescinde da imagem visual em corpo e da imagem sonora em voz do ensaísta. Em tal modo de presença uma espécie de terceira pessoa opera a condução dos processos de pensamento, desdobrando ao mesmo tempo um outro de si e um outro como alteridade que remete propriamente ao domínio público, momento em que a relação eu-mundo se intensifica e expande. O objetivo de minha comunicação é tratar dessas inscrições da subjetividade no filme-ensaio contemporâneo, vislumbrando os diversos níveis de complexidade aí alcançados.
Bibliografia

Teixeira, Francisco E. - O ensaio no cinema: formação de um quarto domínio das imagens na cultura audiovisual contemporânea. São Paulo: Hucitec, 2015.

Corrigan, Timothy - O filme-ensaio: desde Montaigne e depois de Marker. Campinas/SP: Papirus, 2015.

Adorno, Theodor. "O ensaio como forma". In: Adorno, Theodor. Notas de literatura I. São Paulo: Duas Cidades-Ed. 34, 2012.

Deleuze, Gilles & Guatarri, Félix. "Os personagens conceituais". In: Deleuze, Gilles & Guatarri, Félix. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.