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  Título
Cinema, micronarrativas e internet: um olhar sobre o app Studio+
Autor
Emilly Belarmino
Resumo Expandido
Este trabalho busca refletir sobre o fenômeno das micronarrativas, que circulam em diversas plataformas de exibição audiovisual na Internet. As obras apresentam, além da curta duração (séries e filmes de até 10 minutos), reformulações nos modos tradicionais de produção, difusão e recepção das obras. Para atingir o objetivo, utilizaremos como objeto de estudo o aplicativo mobile Studio+, resultado de uma parceria entre a operadora de telefonia móvel Vivo e a Vivendi, grupo de mídia francês especializado em comunicação e entretenimento. O aplicativo traz filmes e séries que priorizam a experiência mobile, além de se apropriar de linguagens audiovisuais diversas. Classificadas pela operadora como Smartseries, as obras transitam entre diversos gêneros e, além de séries, o catálogo conta com documentários e ficções, também de curta duração, concebidos não só no Brasil, mas em outros países.

Se levarmos em consideração o audiovisual, é possível perceber que, de sua primeira produção até os dias atuais, experimentações permeiam o seu universo, como pensado por André Bazin ao afirmar que o cinema nasce inflectido em outras artes mais antigas (BAZIN, 1991). Apesar de ter se consagrado com longas metragens, microproduções marcavam forte presença nos ambientes de projeção nos primórdios do cinema, e mantiveram-se ao longo dos anos presentes no setor, mesmo com menor destaque. Em meio a uma sociedade fortemente conectada de forma móvel e ubíqua, o contato com imagens se torna cada vez mais constante, o que - de maneira direta ou indireta - acabou incentivando o aumento dessas produções, seja por meio de obras amadoras em rede ou em obras profissionais em diversos ambientes.

Espaços como Youtube e Vimeo estimularam a produção caseira de curtas que aos poucos, em meio ao “amadorismo”, foram se aprimorando e conquistando a audiência na web. Bambozzi (2009, p.4) evidencia que “a suposta revolução digital criou nova disposição para a fruição de imagens numa ampla gama de resoluções e o espectador cada vez mais se adapta a uma variedade de padrões jamais vista”. De olho nisso, produtores começam a direcionar suas obras a essas novas demandas do público e o que encontramos na atualidade é o surgimento de ambientes desenvolvidos para fruição de produções que fogem, em sua grande maioria, da televisão ou das salas de projeção, a exemplo da Netflix, Amazon Prime Video e mais recentemente o Studio+, focado em obras de até 10 minutos de duração.

Diante do exposto, pretendemos compreender o fenômeno das microproduções por meio da análise do aplicativo Studio+, identificando suas principais singularidades, tendo como foco as relações entre as linguagens audiovisual e as da internet, além questionar se existem inovações para o audiovisual em rede e de que forma elas se apresentam na fruição dessas micronarrativas.

A bibliografia na qual apoiamos nosso trabalho, baseia-se em autores como Bazin (1991), Gaudreault e Marion (2016), Bambozzi (2009), Gosciola (2004) e Machado (2004).
Bibliografia

BAZIN, André. O Cinema: Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.



BAMBOZZI, Lucas. Microcinema e outras possibilidades do vídeo digital. São Paulo: @Livros Digitais, 2009. Disponível em: .



CASETTI, Francesco. The Lumière Galaxy: Seven Key Words for the Cinema to Come. New York, Columbia University Press, 2015



GAUDREAULT, André; MARION, Philippe. O Fim do Cinema? Uma mídia em crise na era digital. Campinas, Papirus, 2016.



GOSCIOLA, Vicente. Roteiro para as Novas Mídias. In: XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2004, Porto Alegre. Anais do XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Porto Alegre: Intercom, 2004. Disponível em: .



MACHADO, Arlindo. Arte e mídia: aproximações e distinções. Revista Eletrônica E-Compós, edição 1, 2004.