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  Título
Mapeamento dos núcleos de animação brasileiros
Autor
Marcos Buccini Pio Ribeiro
Resumo Expandido
Esta pesquisa sobre os Núcleos de Animação do Brasil encontra-se ainda em uma etapa exploratória. O objetivo deste texto é mapear os principais Núcleos de produção que existem, ou existiram, no país e traçar um rápido perfil de cada um. Em uma etapa futura, pretende-se entrevistar os participantes e aprofundar a história de cada núcleo.

O primeiro foi o Centro Experimental de Cinema de Ribeirão Preto, fundado em 1960 por Rubens Francisco Lucchetti e Bassano Vaccarini. A partir de uma consultoria com o animador Roberto Miller, os dois começaram a produzir animações diretamente na película, usando sobras de filmes que conseguiam. O centro fechou em 1963 por falta de verba. Porém, mesmo em um intervalo tão curto, eles produziram quatorze filmes que ganharam vários prêmios.

Em 1967, foi fundado o Centro de Estudos de Cinema de Animação (CECA), criado e composto por um grupo de alunos da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, lá foram produzidos filmes experimentais com diversas técnicas, mas as atividades duraram apenas um ano. Sa dissolução do CECA, em 1968, surge o grupo Fotograma, que, entre seus integrantes, estavam Rui e Jô Oliveira, Stil, Carlos Alberto Pacheco e Antônio Moreno. Além de realizarem filmes autorais, o grupo promoveu mostras e um programa de TV. Em 1974, Stil, Moreno e José Rubens Siqueira formam o grupo NOS, que objetivava incentivar uma saudável concorrência entre os animadores, pois os trabalhos eram feitos isoladamente.

Em 1975, surge o Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, coordenado por Wilson Lazaretti e Maurício Squarisi. Em 42 anos de atividade, o Núcleo já ofereceu mais de 2.500 oficinas e produziu cerca de 300 curtas e dois longas.

Em 1985, a partir de uma parceria entre a Embrafilme e o National Film Board of Canada (NFB), surge o Centro Técnico Audiovisual (CTAv). A primeira iniciativa foi promover um curso de animação, com um ano de duração, para dez artistas de diversas partes do país. A ideia era expandir a produção de animações, resultando na fundação de mais três núcleos de animação:

Em Minas Gerais, junto a Escola de Belas Artes da UFMG, em 1986, foi formado o Núcleo de Cinema de Animação e Artes Digitais (CAAD). O Núcleo de Cinema de Animação do Ceará, em Fortaleza, fundado no mesmo ano, passou a se chamar Núcleo de Cinema de Animação da Casa Amarela (NUCA) quando se mudou para a Casa Amarela Eusélio Oliveira. Ambos funcionam até hoje. Já o Núcleo de Cinema de Animação do Rio Grande do Sul (NARS), de 1988, está atualmente desativado.

Nos anos 2000, destacamos três iniciativas. A primeira nasceu em Vitória, no no ano de 2005. O Núcleo Animazul é um ponto de cultura que funciona no Instituto Marlin Azul e atende alunos de escolas públicas formando uma turma a cada dois anos.

Em 2005, dentro da faculdade particular AESO – Barros Melo, em Olinda, surge o Estúdios BAM com a ideia de produzir conteúdo autoral de profissionais e dos alunos. Em 2010, produziu seu último curta. Desde então dedica-se apenas a trabalhos institucionais da própria faculdade. Outra iniciativa em Pernambuco ocorre em Caruaru, na UFPE. Originário de um projeto de extensão, foi criado um laboratório, O Maquinário, que vem fomentando a atividade de animação na região.

Por último, o Núcleo Paulistano de Animação (NUPA), criado em 2009, foi um estúdio-escola, que com o apoio do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, promoveu eventos e produziu filmes coletivos até 2012.

Ao se juntar em grupos, artistas buscam trocar conhecimento, ideias e experiências, e também diluir custos e dividir tarefas. Núcleos, como os citados, são responsáveis por uma renovação de profissionais e também de linguagens, técnicas e conceitos. Pelo que vimos, estes núcleos geralmente surgem dentro de instituições de ensino e, na maioria das vezes, dependem de verba pública para existir, sendo de grande importância valorizar estas iniciativas, a partir da criação de novos núcleos e da manutenção dos já criados.
Bibliografia

BUCCINI, Marcos; QUARESMA, Christiane. Animando Histórias do Nordeste do Brasil. In: Cadernos de Extensão 2014. v. 3. Recife: PROEXT-UFPE & Ed. Universitária da UFPE, 2014.



______. A história do cinema de animação em Pernambuco. Recife: Serifa Fina, 2017.



GOMES, Andréia Pietro. História da animação brasileira. In: Centro de Análise do Cinema e do Audiovisual. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: . Acesso em: 01 dez. 2014.



MAGALHÃES, Marcos. Marcos Magalhães, a câmera Oxberry e a criação do núcleo de animação. In: Revista Filme Cultura, n.49, 2007.



MORENO, Antonio. A experiência brasileira no cinema de animação. Rio de Janeiro: Editora Arte Nova S.A., 1978.



NESTERIUK, Sergio. Dramaturgia de série de animação. São Paulo: Programa de Fomento á Produção e Teledifusão de Séries de Animação Brasileira – ANIMATV, 2011.