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  Título
Cinema, Amazônia e Colonialidade
Autor
Claudio Aurelio Leal Dias Filho
Resumo Expandido
Este trabalho tem como objetivo analisar produções cinematográficas brasileiras que tratam da colonização da Amazônia brasileira, nos anos 70, tendo como referencial bibliográfico o escopo teórico e conceitual da colonialidade e decolonialidade. Os filmes a serem analisados são “Bye Bye Brasil”, de Caca Diegues; e “Amazonas Amazonas”, de Glauber Rocha. A proposta é fazer um estudo comparado e analisar o discurso produzido nessas produções sobre a Amazônia, colonização e a busca de intensificação da modernização na região amazônica, além dos conflitos culturais e sociais por ele causados. Existiria uma persistência de dispositivos de colonialidade na produção dessas obras cinematográficas? Há elementos de decolonialidade?

O cinema nacional, registrou esses conflitos através de histórias ficcionais e documentais ou doc-ficcionais, como é o caso de “Iracema uma Transa Amazônica”, de Jorge Bodanzky –, que mescla roteiro ficcional com depoimentos de populares que viveram aquele momento histórico. Esses filmes foram produzidos ainda durante o próprio processo ao qual eles se referiam, utilizando como cenário a própria região, o que os tornam documentos áudio visuais daquele período.

Como discursos fílmicos diferenciados as obras produzem também, significados e objetivos diferenciados. O lugar social da produção da obra é fator determinante no seu resultado. Os filmes a serem estudados possuem diferenças de abordagens e significações.

Inicialmente a metodologia se constituirá de revisão bibliográfica, com leituras e apropriação das noções e/ou conceitos relacionadas à bibliografia referente a modernidade, colonialidade e decolonialidade.

A pesquisa tem referências teórico – metodológicas nos estudos da linguagem cinematográfica, com a colaboração da estética. Análise das obras selecionadas relacionadas ao tema proposto buscando analisar o discurso fílmico a partir do método de análise fílmica.

Ao realizarmos uma análise fílmica, é importante desenhar o contexto de produção da obra estudada. Essa localização em que a obra foi produzida é necessária para o estudo do filme, pois colabora na sua significação e construção de sentidos. Segundo Vanoye, o filme:



[...] é um produto cultural inscrito em um determinado contexto sócio-histórico. Embora o cinema usufrua de relativa autonomia como arte (com relação a outros produtos culturais como a televisão e a imprensa), os filmes não poderiam ser isolados dos outros setores de atividade da sociedade que os produz (quer se trate da economia, quer da política, das ciências e das técnicas, quer, é claro, das outras artes). (VANOYE, 1994, p. 54-55).



A busca de uma compreensão aprofundada da relação do filme com a sociedade passa pelo entendimento do contexto de sua produção; e o entendimento do filme pode também possibilitar a entrada no universo sócio-histórico onde o filme fora produzido:

O objeto da análise fílmica será o discurso que está contido na mensagem de um filme a respeito da imagem e do som. O filme constitui um ponto de vista sobre este ou aquele aspecto do mundo que lhe é contemporâneo. Estrutura a representação da sociedade em espetáculo, em drama e, é essa estruturação que é objeto dos cuidados da análise.

Mesmo uma película que faz críticas ao processo de colonização pode incorrer em práticas de colonialidade e a pesquisa sobre a produção cinematográfica relacionada ao processo de ocupação da Amazônia, pode propiciar uma reflexão sobre processos de colonialidades e decolonialidades presentes na história contemporânea brasileira, bem como na sua produção cinematográfica. O cinema, sendo uma produção estética artística também é um documento histórico, que possibilita a analise e melhor entendimento do discurso produzido em seu tempo. Levantando questões sobre o papel desempenhado pelo cinema, enquanto elemento de produção e reprodução de determinados valores e atitudes culturalmente vigentes na sociedade.
Bibliografia

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Disponivel em:

. Acessado em 22 de out. 2014.

BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo. Cia das Letras, 1995. p. 176-193.

RAMOS, Maria Vilar Ramalho. Viagens em busca de um país: a construção da identidade brasileira nos filmes Iracema uma Transa Amazônica, Bye-Bye Brasil e Central do Brasil. Dissertação de Mestrado em Comunicação Social. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. 2005.

ROCHA, Glauber. Cartas ao Mundo. Org. Ivana Bentes. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

ROCHA, Glauber. Revolução do Cinema Novo. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

STAM, Robert, Introdução à Teoria do Cinema. Papirus, Campinas, 2003.

STAM, Robert, SHOAT,Ella. Crítica da Imagem Eurocentrica. 1 ed. Cosac Nayf, 2006.

VANOYE, Francis; GOLIOT-LÉTÉ, Anne. Ensaio Sobre a Análise Fílmica. Papirus, Campinas, 1994.