ISBN: 978-65-86495-06-5
| Título | Por meio de imagens em movimento, de Minas, vejo um Brasil |
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| Autor | Daniela Giovana Siqueira |
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| Resumo Expandido | A virada 1968/1970 marca a produção de uma safra de filmes realizados por jovens diretores nascidos em Minas Gerais, que longe de defenderem uma mineiridade mítica, realizam obras que fixam a paisagem mineira como lugar essencial para que fosse pensado o Brasil daquele período. Essa escolha geográfica por filmar em Minas se faz em contraponto a um gesto migratório, a ida para o Rio de Janeiro no início da década de 1960. Essa migração marca então boa parte de uma geração que partilhou uma mesma base de formação: cineclubismo e crítica cinematográfica conformada em Belo Horizonte.Essa formação é um dado que potencializa a discussão sobre o fazer e o pensar cinema, a partir de uma cena de origem, o Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC), que notabilizou a sociabilidade cineclubista enquanto sociedade intelectual, sobretudo nas décadas de 1950 e 1960, exemplo este que sob uma perspectiva historiográfica, amplia possibilidades que tencionam o jogo provincianismo/cosmopolitismo. Temos que lembrar que na década de 1960 o cinema se fazia vanguarda em várias partes do mundo e o Brasil não ficou atrás nesse processo. Dois filmes nos ajudam neste pensamento: A vida provisória de 1968, dirigida por Maurício Gomes Leite e Crioulo doido, de 1970, dirigido por Carlos Alberto Prates Correia. A partir de Minas Gerais, as obras trazem uma pauta nacional, permeando questões que definiam discussões de relevância para o período, como a censura, a Ditadura Militar, a presença do negro na organização social, a derrota da esquerda, o rural e o urbano. O diálogo é cosmopolita, mas feito a partir de uma matriz local, de experiências próprias, e de experiências que não se detêm, citando Mário de Andrade, ao “insolúvel do ‘característico’”, ou seja, que não afirmam o típico. A citação a Mário de Andrade tem por objetivo instaurar uma discussão que propõem pensar esses filmes dentro de uma premissa de discussão modernista que pode inicialmente ser instaurada a partir de duas perguntas: Que Minas Gerais é essa que os filmes ressaltam? O que fica do cinema produzido a partir de Minas em uma discussão sobre o modernismo? As perguntas nos levam a um diálogo inicial com a premissa apontada por Marcos Napolitano, de que é possível pensar em um “longo modernismo” que abarca as décadas de 1920 a 1970. Essa perspectiva abre espaço para a emersão de uma visão polimórfica e polissêmica do modernismo, retirando-o do lugar canônico postulado pela Semana de Arte Moderna de 1922, e desdobrando a perspectiva para uma história do engajamento cultural no país até o limite da ascensão definitiva da indústria cultural. Por fim, o esforço de pensamento que apresentamos para a comunicação abre-se para “esticar” uma reflexão até à produção do cinema mineiro contemporâneo, digital, encontrando com isso o filme Temporada de 2018, dirigido por André Novais. Para Mário de Andrade, as ideias de destino individual e destino coletivo são muito fortes. O salto temporal entre a produção de final da década de 1960 e a produção da segunda década dos anos 2000, a nosso ver, proporciona uma discussão, de origem modernista, entre o “artista-fonte” e o “povo-destino”. Assim, a trajetória aqui proposta tem por foco uma análise fílmica que possa ser capaz de motivar uma discussão histórico-cultural, que traga para a pauta do cinema brasileiro liames e rupturas entre o moderno e o contemporâneo. |
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| Bibliografia | BOTELHO, André. De olho em Mário de Andrade: uma descoberta intelectual e sentimental do Brasil. São Paulo: Claro Enigma, 2012. |