ISBN: 978-65-86495-09-6
| Título | Contratos, capitais e projetos: estruturando relações de trabalho |
|
| Autor | Debora Regina Taño |
|
| Resumo Expandido | Segundo Powell (1990), alguns setores da economia se organizam para além das hierarquias e sua estruturação interna ou da competição dos mercados, atuando de formas menos rígidas. Estas formas, segundo o autor, implicam na manutenção das relações e na interdependência entre os atores envolvidos. Adotam tais práticas sobretudo setores que possuem características específicas, como a produção baseada em projetos, contratos temporários, foco maior na eficiência do que na transmissão de informações e atividades que demandam grande especialidade e conhecimento prévio. Entre as características citadas, a produção organizada por projetos abre uma série de questões e abordagens teóricas que auxiliam no seu entendimento: a especialização e divisão do trabalho, a escolha das parcerias, os tipos de contratos exercidos e a consolidação das redes interorganizacionais. A partir de tais pressupostos, análises voltadas ao estudo das organizações têm, nas últimas décadas, abordado o cinema brasileiro como objeto a partir de diferentes bases teóricas, entre elas as teorias de campos organizacionais e redes sociais. Tais estudos colocam a dimensão relacional como fator fundamental para a estruturação do campo, uma vez que é por meio das relações que se dá a atuação dos envolvidos, neste caso, as empresas e profissionais do cinema. Neste contexto, destaca-se a centralidade das empresas produtoras, enquanto organizadoras da estrutura necessária para a realização das atividades. É função central da produtora a contratação de empresas e profissionais que realizarão as atividades próprias da produção do filme e demais produtos, estes, por sua vez, produzidos por meio da organização de equipes temporárias, em projetos (DEFILLIPPI; ARTHUR, 1998). Uma vez que as produções se organizam por redes e, portanto, dependem das relações que se estabelecem entre os atores, a escolha de profissionais para cada função será realizada de acordo com o capital (BOURDIEU, 1986) que é valorizado em cada atividade. Ou seja, a seleção de um profissional pode variar de acordo com critérios estéticos, técnicos ou de valorização de determinado nome pelo mercado, por exemplo. Além disso, conforme apontam Machado et al (2014) e Oliveira (2013) para a realização das diferentes funções específicas, entre outras atividades que compõem a produção cultural, a contratação é comumente realizada entre as empresas centralizadoras da produção e os profissionais autônomos que possuem registro de Pessoa Jurídica (PJ), sendo a contratação autônoma PJ uma maneira de formalização de tais relações de trabalho. Assim, com as atividades principais definidas e reconhecida a produtora enquanto empresa articuladora da rede, faz-se necessário entender o que tais interações demandam e como ocorrem. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo entender as relações existentes entre empresa produtora e empresas e profissionais de diferentes atividades vinculadas à produção de filmes, no que se refere sobretudo às formas de contratação e seleção de tais profissionais. Investiga-se aqui além das formas mais comuns de contratação e seleção, as diferenças entre estas relações de acordo com a função. Há diferença nos critérios de seleção, e portanto no capital valorizado, de profissionais de fotografia e de montagem? E no tempo de contrato de profissionais de som e direção? Para tanto, o estudo se vale de uma survey, realizada com produtoras brasileiras de longas-metragens, e análises quantitativas e estatísticas das respostas obtidas, a partir das quais foi possível elucidar alguns dos pontos aqui apresentados. |
|
| Bibliografia | BOURDIEU, P. The forms of capital. In: RICHARDON, J. G. (Ed.). . Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education. Westport: Greenwood Press, 1986. p. 241–258. |