ISBN: 978-65-86495-09-6
| Título | O leitmotiv e a trilha musical orquestral no cinema brasileiro |
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| Autor | Alexandre Pfeiffer Fernandes |
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| Resumo Expandido | Em sua fase inicial, o cinema acabou tendo como referência outras manifestações similares já estabelecidas, como o teatro e a ópera. Portanto, não é por acaso que ainda nos dias de hoje, trabalhos escritos sobre história ou estética da música para filmes quase sempre tenham alguma menção ao nome do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883) e à concepção de leitmotiv (motivo condutor em alemão) presente em suas óperas. O leitmotiv, que também acabou sendo utilizado por compositores no âmbito da música para filmes, é um trecho musical curto que faz referência a determinado elemento da narrativa em questão, que geralmente é repetido quando tal elemento se faz presente de alguma forma. Se por um lado seja possível estabelecermos similaridades entre o uso do leitmotiv nas óperas wagnerianas e seu uso nas trilhas musicais cinematográficas, por outro, autores como Scott Paulin (2000) e Carlos Eduardo Pereira (2014) apontam em suas pesquisas que essa relação com o cinema não é tão simples assim. Paulin afirma, por exemplo, que a própria origem do termo no meio cinematográfico vem de fontes “não tão rigorosas”, a partir das quais autores de textos sobre o assunto tendem a exagerar a influência de Wagner, confundindo o real significado tanto das práticas do compositor alemão, quanto do trabalho de compositores que criam música para filmes. O objetivo desta comunicação é apresentar tais diferenças e similaridades entre o uso do leitmotiv no contexto operístico wagneriano e seu uso nas trilhas musicais orquestrais, a partir de um breve panorama histórico sobre o tema e de uma discussão a respeito das diferentes funções do leitmotiv na música orquestral cinematográfica brasileira. No campo dos estudos sobre música para cinema, a concepção de que o leitmotiv esteve presente em todo o período do cinema silencioso acabou sendo bastante difundida. No entanto, em sua pesquisa a respeito do assunto, Rick Altman (2007) questiona esse predomínio contínuo do leitmotiv, ao afirmar que o chamado “acompanhamento temático”, ou seja, que utilizava temas musicais, se estabeleceu somente a partir do ano de 1915, principalmente com a difusão das chamadas compilações (coletâneas de partituras de temas que poderiam ser tocados pelos músicos acompanhadores nas exibições). Com o advento do cinema sonoro no final dos anos 1920, a indústria cinematográfica hollywoodiana acabou por estabelecer a sonoridade orquestral, com influências da música erudita europeia do século XIX, como padrão para as trilhas musicais. Nesse contexto, o uso de temas musicais continuou a se fazer presente nas melodias marcantes da música dos filmes da época. No entanto, principalmente a partir de 1960, com o predomínio da utilização de canções populares pré-existentes, o leitmotiv deixou de ser tão utilizado pelos compositores. No contexto do cinema brasileiro, um movimento parecido pode ser observado: as trilhas orquestrais do começo do cinema sonoro também contavam com uma forte presença de temas musicais, presença esta que deixou de ser tão marcante a partir do movimento do Cinema Novo. Complementando esta contextualização histórica, serão analisados trechos de trilhas musicais de diferentes momentos do cinema brasileiro para exemplificar algumas formas de uso do leitmotiv, tendo como referencial teórico os apontamentos de Claudia Gorbman (1987) e Justin London (2000) a respeito do tema. Dessa forma, o presente trabalho tem o intuito de discutir a complexidade que existe por trás deste termo, além de demonstrar que mesmo depois de tantos anos, o leitmotiv ainda continua a ser utilizado em trilhas musicais orquestrais mais recentes. |
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| Bibliografia | ALTMAN, Rick. Early Film Themes: Roxy, Adorno, and the problem of cultural capital. In: GOLDMARK, D; KRAMER, L; LEPPERT, R. (Org.). Beyond the soundtrack: representing music in cinema. Los Angeles: University of California Press, 2007. |