ISBN: 978-65-86495-09-6
| Título | A INTERVENÇÃO VISUAL ESTILÍSTICA NO CINEMA ADAPTADO DA ARTE SEQUENCIAL |
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| Autor | Carlos Eduardo Queiroz |
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| Resumo Expandido | O painel aqui proposto tem como objetivo apresentar uma pesquisa de Mestrado em andamento desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (PPGCine-UFF). Os objetos de estudo são o flerte estilístico entre as histórias em quadrinhos e o cinema e as implicações no campo da atmosfera fílmica de uma possível intervenção visual estilística no quadro cinematográfico. O cinema tem em sua realização a possibilidade de se apropriar dos recursos estilísticos do léxico das histórias em quadrinhos para adicionar mais uma camada de sentido na obra. O presente trabalho propõe-se a explorar quais são recursos da nona arte passíveis de transposição para o cinema em obras de adaptação e quais os efeitos estéticos e narrativos decorrentes de tal intervenção estilística. A hipótese é de que os pilares de linguagem da arte sequencial, quando importados para o cinema na forma de intervenções estilísticas sobrepostas ao quadro, contribuem para o desenvolvimento narrativo e de robustez da forma. O exercício metodológico se dá a partir de uma análise plano-a-plano da sequência final da película “Homem-aranha: no Aranhaverso” (Spiderman: into the spiderverse, 2018, dir. Peter Ramsey, Bob Persichetti, Rodney Rothman, EUA, 116 min.). A obra se vale das seguintes ferramentas: quadros desenhados à mão; linhas bidimensionais que se sobrepõem aos quadros tridimensionais computadorizados; motivos circulares na forma de Ben-day dots e Kirby Krackles, – alusão à mídia impressa –; composições de quadro-sobre-quadro e quadro-dentro-do-quadro. Ao desenvolvimento que se seguirá, configura-se intervenção estilística qualquer sobreposição ou manipulação ao quadro cinematográfico com efeito estético ou narrativo, tomada de decisão artística arrojada ou, simplesmente, marcação de estilo que manuseia e alarga a linguagem cinematográfica classicamente ilusionista – em se esconder e esconder a obviedade de um processo de pré-produção, captação, pós-produção, distribuição e exibição de uma obra. A historiografia do cinema é permeada por histórias adaptadas de outros meios desde a sua gênese. A relação não só do cinema mas também dos quadrinhos com a adaptação é, portanto, intrínseca (DAYRELL, 2010). É natural que as possibilidades criativas fluam entre os dois meios. Segundo Horn (2007), a primeira adaptação cinematográfica de uma publicação de histórias em quadrinhos que se tem data é “The Katzenjammer Kids in school” (1898, dir. William George Bitzer, EUA) – da série de tirinhas norteamericana “The Katzenjammer Kids”, publicada entre 1897 e 2006. No entanto, mesmo com uma via de mão dupla que já dura mais de um século, poucos são os filmes que cruzam a ponte da adaptação em busca de histórias para contar e se aproximam da arte sequencial, trazendo para a forma fílmica mais de seu material de origem do que o esqueleto de sua narrativa. Para uma obra adaptada, de igual ou maior importância que a “origem”, ou seja, de onde a trama partiu, deve ser o que podemos chamar de “destino”. Após a transposição da matéria e sua inerente transformação (ECO, 2007), advinda de uma mudança estrutural ao se contar a mesma história em um novo meio, é essencial questionar que novas possibilidades de significação foram construídas. O ponto a ser feito aqui é de que o cinema não necessita de tais intervenções abruptas em sua forma. Ele carrega em sua linguagem ferramentas que propositalmente escondem seus esforços de construção sensorial e criam, por meio da imagem e do som e dentro das seis dimensões (BURCH, 1969) que enlaçam a filmografia dos últimos 127 anos de cinema, as sensações que no mundo experienciamos com nossos cinco sentidos. O cinema dispõe de um léxico extremamente bem desenvolvido, de fácil compreensão pelo público e repleto de possibilidades, dentro do campo, de representação verossímil e diegética de toda forma de ficção. Portanto, se à sua linguagem intervenciona, remodela e, por conseguinte, estiliza, há motivo. |
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| Bibliografia | BURCH, N. Praxis du cinéma. Editorra Gallimard, 1969. |