ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Noites Paulistanas |
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| Autor | Denilson Lopes Silva |
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| Resumo Expandido | Ando pela noite em filmes, fotos, ficções, olhando para a tela do computador enquanto outra noite avança lá fora da janela. Há muito já não vou em festas, clubs e só ando pela noite para ir ao cinema, teatro, restaurantes, antes de voltar para casa antes da meia-noite. Não flano nem perambulo sem destino. Talvez pelo risco que parece tombar aos que gostam de caminhar nas cidades brasileiras, especialmente pela noite, desertos com alguns poucos oásis mais ou menos seguros de pessoas agregadas em bares, quando muito. Penso na noite que veio do romantismo, noite do mistério, de fantasias e de pessoas desconhecidas do mundo diurno e do trabalho, seres à margem, mesmo do mundo do crime. Eles também estão na tela do computador e esta noite, entre outras noites, assombram o caminho... Mas após ter passado por algumas cidades em trânsito e à procura de um lugar em que sentisse menos meu constante tédio por onde moro, seja onde for, me preparo para ficar em São Paulo, onde nunca morei, por alguns meses. O que me espera? Preparo uma mescla de diário de leituras, imagens e sons a serem (re) descobertos como a cidade que nos últimos anos a que vim várias vezes mas nunca passei, salvo engano, mais do que dez dias por vez, numa roda viva de exposições, peças de teatro e amigos, de preferência, o que não posso fazer e quem não posso ver onde moro. São Paulo, cidade da pausa, do fim de semana, de feriados. Agora seu fascínio resistirá a um cotidiano marcado também por pesquisa e aulas? Me volto para os anos 1970, 1980 e 1990 como espécie de contraponto ao que possa encontrar agora em 2025, como se um reencontro com minha juventude, tendo entrado na universidade em 1984. Lembro das cenas disco, punk, pós-punk, da Lira Paulistana e clubber, entre o fim da ditadura civil militar (1964/1984) e a primeira década da Nova República, após a contracultura e durante a pandemia da AIDS. Lembro de Caio Fernando Abreu, do Neonrealismo, da série Noturnas de Cassio Vasconcellos, de fotógrafos e cronistas de festas, de ontem e de hoje. Não se trata de uma representação da noite de São Paulo, talvez uma contribuição para uma genealogia de uma estética da noite, do escuro, da solidão, da insônia, de encontros inesperados, em busca de prazer e de encontros diferentes do mundo diurno da família, dos trabalhos mais reconhecidos, das multidões que se deslocam. Trata-se de um mundo de espectros, fantasmas, sempre destinados a desaparecer ao dobrarem uma esquina e se perderem nos labirintos da cidade, um tipo de anonimado diferente do anonimatos nas multidões diurnas. Eles desaparecem porque deixaram de frequentar a noite, porque se casaram, trabalham, enfim, tem uma vida durante o dia, após terem mesmo vivido uma vida feita por aparições e convivência. Sua desaparição bem pode ser uma transformação, a criação de uma outra vida ou uma morte. A procura dessas cenas noturnas será feita além de um diário de leituras a partir de fragmentos, cenas, estórias, tendo como foco um momento em que a cultura midiática, em particular, a música assume uma centralidade que antes a literatura teve nos corações e mentes. E isso seria importante para pensar para além de uma visão intermediática, assumir uma inespecificidade que não só dialoga obras de diferentes linguagens mas faz incidir esta mescla de sons, imagens e palavras num diário em que se conjuga viagem e leitura, espaços e tempos. |
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| Bibliografia | DYER, Richard. “In defence of disco”. In: Only Entertainment. Routledge, 2002. |