ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | FRICÇÕES: Enquanto Tocam as Obras Distrativas |
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| Autor | Tábata Clarissa de Morais |
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| Resumo Expandido | O estudo analisa a dinâmica das plataformas de streaming e seu impacto sobre as produções culturais em contextos transnacionais. Para isso, investiga a recente perda de assinantes da Netflix como sintoma de fragilidades estruturais em suas curadorias e dinâmicas produtivas. Observamos as ramificações desse fenômeno na seleção e produção de conteúdos, moldadas por uma estética algorítmica que prioriza padrões de consumo previsíveis em detrimento da diversidade narrativa. A discussão se ancora em um subgênero específico: o Nordestern, que emerge da cultura cinematográfica nordestina no Brasil. Inicialmente, abordamos a transformação profunda nos fluxos globais de comunicação operada pelas plataformas, cujo modelo de negócios se fundamenta em indícios curatoriais definidos por dados quantitativos de experiências prévias. Esse sistema busca escalabilidade e maximização de usuários, interagindo com dados dos assinantes para moldar narrativas que frequentemente reduzem complexidades culturais a representações estereotipadas do que se entende como “conteúdo universal”. Esse processo reflete formas de colonização cultural, nas quais conglomerados globais controlam a produção e distribuição de significados, favorecendo histórias que ressoam com um público amplo, mas que negligenciam particularidades locais. O texto também examina a estética da violência nas produções brasileiras para streaming, com ênfase nas séries policiais e de faroeste. Morais discute como obras icônicas como "Deus e o Diabo na Terra do Sol", "Cidade de Deus" e "Tropa de Elite" contribuíram para a formação de uma percepção limitada da cultura brasileira no mercado audiovisual global. Esse foco recorrente na violência e na opressão pode ser compreendido dentro de um contexto pós-colonial, no qual as narrativas reforçam clichês e simplificam a riqueza cultural de um país de dimensões continentais. A análise do Nordestern revela que esse gênero, historicamente marcado por crítica social e ironia cultural, pode encontrar espaço nas plataformas, mas frequentemente passa por um processo de adequação às expectativas de um público global, diluindo suas peculiaridades. A transformação das narrativas através de algoritmos, que identificam padrões de consumo e os reproduzem, limita a expansão das histórias contadas e reflete uma epistemologia desencantada, que desencoraja a inovação e a exploração aprofundada das subjetividades culturais. Morais também problematiza as ausências subjetivas que emergem dessas escolhas curatoriais. Questiona-se por que a diversidade cultural é sistematicamente marginalizada em prol de conteúdos padronizados e se a falta de comprometimento com realidades locais não contribui para essa exclusão. Os desafios postos pelas plataformas incluem a falta de transparência nos algoritmos, questões sobre direitos autorais, a exploração de criadores e o problema ético da manipulação de dados. Tais tendências podem levar ao afastamento do público, uma vez que o conteúdo se distancia do que poderia ser inovador e autêntico. Ao longo do texto, apontamos possíveis soluções através de alternativas locais que invistam na diversidade de histórias e subjetividades. É necessário reconhecer temas, narrativas e processos criativos que transcendam a homogeneização de um ser pretensamente “universal”. O estudo incentiva um olhar mais crítico sobre as práticas de produção cultural contemporâneas, reforçando a importância de histórias autônomas, autênticas e enraizadas na diversidade e na riqueza cultural – fundamentais para a vitalidade de uma indústria verdadeiramente criativa. |
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| Bibliografia | REFERÊNCIAS |