ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | CRÍTICA MATERIALISTA DA GOETIA NO CINEMA INSÓLITO: demonologia e os desejos da carne |
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| Autor | Victor Finkler Lachowski |
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| Resumo Expandido | Este estudo parte de uma análise filosófica da religião sobre como a Goetia é articulada dentro dos filmes de terror Hereditary (2018) e A Dark Song (2016). A filosofia da religião parte de métodos racionais e filosóficos e compreende o fenômeno religioso como um dado da cultura, tentativa do humano se conectar com o transcendente. O dado da cultura analisado no qual ocorre uma mescla de incontáveis possibilidades com a religião é o cinema. A Ars Goetia é uma sistematização estabelecida no século XVII, com a apropriação cultural de elementos, entidades e ritos presentes no judaísmo, e adaptando-os para uma classificação ocultista-mágica. A Goetia é historicamente relacionada ao surgimento do capitalismo e suas novas formas de produção, relações de produção e fenômenos, banqueiros, relações de troca e outras formas de compreender o dinheiro. Sendo um sistema para facilitar uma relação de conexão-troca na qual a ritualística realiza uma transferência (o ritualista pede algo para a Entidade, e a Entidade pede algo em troca). Para debater a relação entre cinema e religião/espiritualidade, são utilizados os resultados expostos por Almeida (2010) sobre a representação do Diabo no cinema ocidental e as exposições de Luiz Vadico (2012) sobre a complexidade das relações entre religião/cinema e cinema/religião; acrescentam-se autores debruçados no insólito e ns ritualística/ocultismo no cinema. Na crítica materialista da religião, Ludwig Feuerbach (2007) propõe que a consciência de Deus é a autoconsciência do homem; ou seja, a religião enquanto uma antropologia invertida acaba por revelar a essência do humano, seu interior revelado, e o humano não percebe que é criador destas representações por uma alienação no qual não se reconhece em sua obra. Marx (2010) reforça que o humano busca na realidade fantástica do céu algo sobrehumano, e ali só encontra um reflexo de si; a religião, enquanto criação humana, é a autoconsciência o autossentimento do humano que ainda não se encontrou ou se perdeu; e o mundo humano, com Estado, sociedade, produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, para ser a teoria geral deste mundo, sua lógica formal popular de efetivação fantástica e consolo geral. Em Marx, o combate à religião não se dá diretamente contra ela, e sim contra o mundo que a produziu, suas condições econômico-políticas e sociais. A religião é, assim, a expressão da miséria geral do mundo, e, ao mesmo tempo, um protesto oprimido contra essa miséria: o ópio do povo (anestésico para lidar com a realidade contraditória e opressora). Freud (2011; 2019) aborda o fenômeno religioso como uma forma do indivíduo buscar a felicidade através de uma regra geral para essa realização pessoal, com a diminuição do mundo real por parte do discurso religioso sendo uma forma de limitá-lo para ser encaixado e domar as forças da natureza e nossas pulsões, e para se viver coletivamente. Para Freud, a crença nos deuses supre as seguintes necessidades: deuses nos protegem das forças da natureza, nos conciliam com a crueldade do destino (morte), nos compensam pelas privações e sofrimentos da vida em sociedade; a partir de certo momento, a religião deixa de ser natural para se tornar moral conforme conhecemos a natureza - leis morais. Como resultados obtidos até o curso da investigação, os filmes mostram o uso da Goetia em sua função principal: ritual serve apenas para ganhos materiais, além da importância da propriedade privada para o curso narrativo de tais benesses (mal derivado do desejo). O ocultismo é uma “solução conveniente”, como Freud aponta sobre o pensamento religioso. Outro aspecto é que os filmes não apresentam uma contrapartida (divino, sagrado) moral a essa sistematização tida como “demonológica”; ocorre a intensivação da manifestação daquela força. Assim, do ponto de vista materialista, a Goetia supre sua função de ser uma solução direta para um sistema de troca voltada para atender necessidades materiais de maneira efetiva e iminente. |
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| Bibliografia | ALMEIDA, Marcos Renato Holtz de. O Diabo e a Indústria Cultural: as diversas faces da personificação do mal nas telas de cinema. Revista Nures (ISSN 1981-156X), n. 16, Setembro-Dezembro, 2010. |