ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | (Mais uma) estética do espanto: a experiência de TikTok em Tudo em Todo Lugar ao mesmo tempo |
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| Autor | Murilo Bronzeri |
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| Coautor | Laura Loguercio Cánepa |
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| Resumo Expandido | O filme Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022), escrito e dirigido por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, é um dos exemplos mais premiados e conhecidos dos hiperestímulos sensoriais no cinema contemporâneo, por meio de montagens frenéticas e uma estrutura narrativa que remete às múltiplas janelas da experiência digital contemporânea. Em sua trama, o filme se desenrola dentro de um multiverso, onde diferentes realidades coexistem e se entrelaçam, criando uma sensação de simultaneidade e ubiquidade, aspectos que também são característicos das mídias digitais. Essa abordagem narrativa e visual dialoga diretamente com a lógica consagrada pela plataforma do TikTok e sua dinâmica algorítmica de estímulos incessantes. A hiperestimulação não é um fenômeno novo, mas é fenômeno crescente desde o alvorecer da modernidade. Esse período inaugura uma nova concepção neurológica dos sujeitos, moldada por um sistema de choques físicos e perceptivos emergentes do cotidiano moderno. Esse aumento da recepção sensorial resulta em um apetite por estímulos cada vez mais intensos, o que se reflete na crescente demanda por espetáculos visuais de grande impacto. Tom Gunning (2001) argumenta que o cinema, desde suas origens, esteve alinhado com essa tendência, adotando uma "estética do espanto", na qual a excitação visual prevalece sobre a narrativa tradicional. Ele descreve esse fenômeno enfatizando o papel do choque sensorial e da surpresa na experiência cinematográfica. Suas reflexões se aplicam a produções audiovisuais contemporâneas, como o próprio Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo, e ao consumo de vídeos em redes sociais como o TikTok. O TikTok, criado em 2016 pela empresa chinesa ByteDance, é um aplicativo focado na produção de vídeos curtos. Inicialmente centrado no lip-synching, termo usado para descrever a sincronização labial com áudios pré-gravados, o aplicativo expandiu sua proposta e consolidou-se como uma das principais plataformas de consumo de conteúdo audiovisual da atualidade (Anderson, 2020). O diferencial do TikTok está em seu "elemento de incerteza" (Anderson, 2020, p. 8), que se manifesta na forma como os vídeos são apresentados ao usuário sem necessidade de ação ativa. A seção For You (Para Ti) exibe automaticamente conteúdos selecionados por um algoritmo sofisticado, que analisa interações, hashtags e elementos audiovisuais para oferecer estímulos cada vez mais personalizados (Kang & Lou, 2022; Grandinetti, 2023). A combinação entre reprodução automática, feed infinito e o design algorítmico gera uma experiência viciante, um comportamento que pode ser compreendido dentro da lógica da hiperestimulação (Zeng, Abidin & Schäfer, 2021). A fusão entre a estética cinematográfica de Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo e a lógica das novas mídias reflete um cenário onde a hiperestimulação se tornou elemento fundamental da experiência contemporânea. O filme não apenas adota um ritmo acelerado e fragmentado, como também incorpora um imaginário fantástico e insólito, onde múltiplas realidades colidem e se sobrepõem. Essa estrutura narrativa se alinha com a lógica algorítmica do TikTok, onde a sucessão de conteúdos imprevisíveis gera um fluxo de estímulos incessantes. Assim, tanto o cinema quanto as novas mídias contribuem para uma cultura visual marcada pela simultaneidade, pelo excesso sensorial e pela busca constante por novas formas de encantamento e surpresa. |
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| Bibliografia | ANDERSON, Katie Elson. Getting acquainted with social networks and apps: it is time to talk about TikTok. Library Hi Tech News, n. 4, 2020, p. 7-12. |