ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Retorno à matéria: Práticas analógicas na direção de arte como vetores de criatividade e conexão |
|
| Autor | TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD |
|
| Resumo Expandido | Este artigo visa examinar a produção de relações corporificadas no âmbito do ensino de direção de arte em cursos de cinema no Brasil e seus benefícios para o desenvolvimento socioemocional de jovens nativos digitais. Constituem-se como objeto as experiências docentes da autora, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM Rio). A metodologia utilizada é o estudo de caso, em diálogo com referencial teórico multidisciplinar, composto por autores como Emanuele Coccia (2024), Gaston Bachelard (1993), Hans Ulrich Gumbrecht (2010), Byung-Chul Han (2019) , Jonathan Haidt (2024) e Vera Hamburger (2014). Partindo da constatação de Haidt de que " [...] os smartphones e a superproteção agiram como inibidores de experiência', que dificultam que crianças e adolescentes tivessem o tipo de experiência social corporificada de que mais precisavam [...]" (Haidt, 2024, p. 20), formulamos a hipótese de que atividades práticas do campo da direção de arte em cursos de cinema e audiovisual são capazes de proporcionar experiências corporificadas, com impacto positivo no desenvolvimento socioemocional de estudantes. O presente momento da pesquisa visa examinar práticas da docente-pesquisadora, relacionando objetivos pedagógicos, atividades desenvolvidas, resultados alcançados e possíveis contribuições com o desenvolvimento dos estudantes. Posteriormente, será elaborado um questionário de consulta a egressos participantes das práticas para aferir o impacto em sua vida profissional e pessoal. A pesquisa visa expandir-se, incluindo práticas de outros docentes do campo. Nesta primeira fase da pesquisa, serão examinadas as dinâmicas: i) Exercício “Museu Particular”, onde estudantes selecionam objetos de seus acervos pessoais com objetivo de se apresentarem, montarem uma exposição coletiva e narrarem memórias e histórias particulares. O exercício, aplicado desde 2014, é variação de uma proposta conhecida pela docente em aula com o cenógrafo Hélio Eichbauer e visa sensibilização do olhar poético através das relações afetivas com objetos de memória. ii) Projetos de extensão: “Dar a Ver”, realizado na Unila entre 2015 e 2018 e “Trama Coletivo”, iniciado em abril de 2024 e ainda em funcionamento na ESPM-Rio. Na extensão, estudantes especialmente interessados na área desenvolvem projetos e pesquisas que se expandem para além do espaço de formação. iii) Aulas com uso de metodologia experimental para trabalhar “Elementos de linguagem visual”. Por meio de práticas corporais e experimentações com materiais e equipamentos, criam-se espaços instalativos coletivos e experimentam-se estados de presença e liberdade criativa. Inspirada nos estudos de Vera Hamburger sobre o Laboratório “Fronteiras Permeáveis”, a proposta revelou-se valiosa, para além dos objetivos pedagógicos, por permitir o surgimento de um espaço lúdico, onde o retorno do brincar é uma forma de relação com o mundo concreto e com o outro. iv) “Montagem de cenário para curta-metragem”, onde estudantes executam todas as etapas de um pequeno cenário. Nesta proposta são relevantes: tanto a lida com ferramentas e matérias concretas, que possibilita práticas muitas vezes inéditas para os estudantes (como serrar madeira), quanto o entendimento da importância do comprometimento de todos para a concretização de objetivos comuns. Por lidar, necessariamente, com as matérias do mundo físico, a prática docente no campo da direção de arte audiovisual tem demonstrado alto potencial de proporcionar experiências sensíveis, que tendem a contribuir com o desenvolvimento socioemocional e melhorar as relações interpessoais de grupos de jovens e adolescentes graduandos de cinema e audiovisual. O exame mais detalhado de tal potencial, longe de se propor como solução única para um problema bastante complexo, tende a ser um dos muitos gestos necessários diante do difícil quadro em que se apresenta a saúde mental na educação. |
|
| Bibliografia | COCCIA, Emanuele. Filosofia da casa: espaço doméstico e felicidade. Rio de Janeiro: Dantes Editora, 2024. |