ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Cinema e intermidialidade: uma janela para ver, capturar e reinventar o mundo |
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| Autor | Luciano Dantas Bugarin |
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| Resumo Expandido | O ensino de arte compreende diversas possibilidades de leituras de mundo por meio de imagens artísticas. Se a educação é uma janela que revela uma parcela de um panorama mais abrangente a ser descoberto, a imagem artística destaca como um fragmento emoldurado de uma perspectiva mais ampla resulta da sensibilidade de um olhar que transforma o ato de observar em possibilidades de produção de conhecimento. A composição de uma imagem é produto de observação crítica, na qual o autor imagina e reinventa a partir do que examina e descobre. Toda obra visual apresenta uma moldura disposta sobre o que se vê, como resultado de uma percepção sensível particular que atua sobre uma compreensão do mundo ao redor (Pontes; Souza; Leal, 2022). A criatividade é um componente fomentador do olhar, tanto na educação, quanto na criação visual, ao impulsionar o cognitivo do pensamento e suas subjetividades. Imaginar é um meio fundamental para capturar e transformar uma realidade com base em uma compreensão crítica (Barbosa, 1998). O cinema potencializou a concepção, da pintura, de um recorte da realidade que motiva contemplação, reflexão e produção de sentido a partir do olhar. O cinema é uma janela que dispõe uma pluralidade de modos de reinventar o que se vê, o que se vivencia e de evidenciar o que ainda não se conhece (Bartalini, 2021). O cinema pode operar, no ensino de arte, como mobilizador e catalisador de um olhar sensível no estudante, como o olhar criador do artista. Esse é o olhar que possibilita a criação de composições carregadas de uma poética visual sobre diferentes narrativas. A amplitude da estética audiovisual pode estimular os estudantes a “olharem” de forma mais atenciosa para suas vivências e aspectos socioculturais de seus entornos (Fresquet, 2020). O cinema tem como característica uma natureza plurimidiática, por abranger aspectos estéticos e narrativos de diferentes mídias e linguagens artísticas. Um filme é um potente dispositivo de apreciação intermidiática, e pode proporcionar uma experiência lúdica e imersiva de produção de sentido. A realidade virtual (RV), que pode ser considerada como um formato tecnológico renovado do cinema, alcançou um nível de imersão, que esse jamais alcançou. A RV amplia e dispõe um novo sentido para a imagem como uma janela. A imersão da experiência coloca o indivíduo dentro da imagem, que se expande ao redor. A experiência do sentir/estar na imagem artística instiga uma leitura, cuja percepção pode consistir em uma compreensão mais subjetiva do mundo ao redor. Quer dizer, a RV pode gerar uma leitura de natureza mais emancipatória na presentificação da imagem por meio de uma percepção identitária. Em outras palavras, a leitura da imagem estaria vinculada a percepções distintas, tal como artistas ao criarem suas obras (Axt; Schuch, 2001). Através de um diálogo intermidiático entre pintura, RV e cinema, o ensino de arte pode ser conduzido através de associações entre experiência estética e visualidade. Assim, é possível estabelecer uma aprendizagem imersiva, onde o estudante pode assimilar elementos formais e subjetivos das imagens por meio de experimentações midiáticas e tecnológicas a partir de uma construção própria. Se olhar pela janela pode ser um modo de buscar compreensão sobre o mundo, cada uma dessas três linguagens traz sua versão de “janela” pelo uso da perspectiva como recorte da realidade. Cada suporte oferta uma vista, onde a origem os integram, enquanto que a espectatorialiade salienta a interface de cada mídia, o que possibilita que cada uma reinvente a imagem, segundo sua própria essência. A intermidialidade entre as janelas da pintura, da RV e do cinema, em especial na animação, devido a um impressionante potencial de liberdade da representação subjetiva (Sarrat, 2023), proporciona o encontro do estudante com novas perspectivas, e compreensões da imagem e sua presença. A intermidialidade promove uma criação imagética que se reinventa perante o sistema de comunicações. |
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| Bibliografia | AXT, M.; SCHUCH, E, M. M. Ambientes de realidade virtual e educação: que real é este?. Interface - Comunição, saúde, educação, Botucatu, v.5, n.9, p.11-30, 2001. |