ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A co-autoria nas trilhas de mulheres no Brasil |
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| Autor | GEÓRGIA CYNARA COELHO DE SOUZA |
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| Coautor | Suzana Reck Miranda |
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| Resumo Expandido | Nesta comunicação, apresentamos os resultados parciais de nossa pesquisa sobre as mulheres compositoras de trilhas musicais para o cinema brasileiro, com o intuito de refletir sobre sua posição nos casos de coautoria. O objetivo é perceber a importância da colaboração como uma porta de entrada profissional para muitas compositoras, ao mesmo tempo em que se revela uma evidência das assimetrias na presença e visibilidade feminina no campo da criação musical para filmes comerciais no Brasil, em comparação com a situação dos compositores homens na mesma condição. A escassa presença feminina na composição de trilhas sonoras reflete uma disparidade histórica no campo da criação musical no Brasil. Embora a participação das mulheres no cenário musical brasileiro não seja incomum, especialmente a partir da segunda metade do século XIX, sua atuação na composição sempre foi marginalizada. Durante muito tempo, a historiografia da música brasileira manteve a ideia de que a composição era uma prática predominantemente masculina, com Chiquinha Gonzaga sendo vista como uma exceção quase isolada. No entanto, Freire e Portela (2010, p. 70) catalogaram 332 composições de 106 mulheres entre 1870 e 1910, com base em um levantamento realizado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Mais de um século depois, paradoxalmente, as mulheres ainda são mais reconhecidas como intérpretes do que como compositoras. Apesar do aumento significativo no número de compositoras nas últimas décadas, conforme aponta Murgel (2018), poucas conseguem adentrar o campo da composição de trilhas para filmes. A partir de dados da ANCINE sobre os filmes brasileiros lançados comercialmente no país de 1995 a 2019, buscamos informações sobre a trilha musical em 1380 filmes que continham créditos para música original. Chegamos a um total de apenas 79 filmes, ou seja, 5,7% do total, nos quais mulheres atuaram como compositoras, seja sozinhas ou dividindo os créditos com homens e/ou bandas. Nas etapas seguintes, categorizamos esses 79 filmes conforme o tipo de participação das mulheres na criação das trilhas, e em 54 deles, ou 3,9%, a autoria foi compartilhada com homens. No entanto, na maioria dos filmes com composição musical compartilhada, os nomes masculinos predominam, seja por serem mais numerosos ou por terem composto mais fonogramas do que as mulheres. Essas coautorias desiguais nem sempre contribuem para o reconhecimento do trabalho criativo das mulheres, especialmente quando seus nomes aparecem apenas nos créditos finais, no momento em que todas as faixas e/ou fonogramas são listados. Como estudo de caso, destacaremos as trajetórias de Tami Belfer, Flavia Tygel e Vivina Aguiar-Buff, que, após iniciarem sua trajetória como coautoras – muitas vezes de forma assimétrica –, conseguiram se consolidar, ainda que de maneiras distintas, como compositoras de trilhas e construir uma “carreira solo” na autoria. Embora esses resultados possam indicar um avanço tímido, o cenário ainda se mostra desfavorável para as trilheiras no Brasil. Portanto, é essencial continuar explorando e divulgando essas informações, a fim de estimular discussões e ações que busquem reduzir as disparidades de gênero nesse campo. A baixa representação feminina ressalta a necessidade urgente de reconhecimento e valorização do trabalho dessas profissionais. |
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| Bibliografia | CINEMATECA BRASILEIRA. Base de dados: filmografia brasileira. Disponível em: https://bases.cinemateca.org.br/. Acesso em: 03 ago. 2024. |