ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A vida arquivística do filme Batisado Dyonée Casa de Saúde e Maternidade (dir. Nahim Miana, 1954) |
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| Autor | Vanessa Maria Rodrigues |
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| Resumo Expandido | Partindo do conceito de “vida arquivística do filme” (Fossati, 2018), a intenção desta comunicação é discutir a vida do filme Batisado Dyonée Casa de Saúde e Maternidade (dir. Nahim Miana, 1954), passando pela salvaguarda da película cinematográfica no arquivo da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), em Juiz de Fora (MG), e o posterior ingresso e inspeção desse rolo, mais de duas décadas depois, em 2022, no Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (Lupa UFF), no escopo de minha pesquisa de doutorado (Rodrigues, 2024), para ações de revisão, catalogação e preservação audiovisual. Batisado Dyonée Casa de Saúde e Maternidade, registro feito originalmente em bitola 16mm, é parte da coleção de filmes domésticos filmados pelo professor de inglês Nahim Miana. A coleção é composta por 34 rolos de películas cinematográficas, doadas pelo próprio realizador à Funalfa em junho de 2000. Nas sequências desse filme silencioso de três minutos, vemos o batismo da bebê Dyonée, quarta filha de Nahim, numa capela de Juiz de Fora: os convidados, padrinhos, sacerdote, o ritual da água benta na criança que recebe o sacramento, o altar com os santos e velas, o relógio marcando a hora da cerimônia. Na falta de documentação iconográfica e textual sobre o estado de conservação do rolo quando ele chegou ao arquivo da Funalfa, como metodologia para a análise do comportamento da vida arquivística desse material ao longo de mais de duas décadas, comparamos criteriosamente trechos das cópias feitas em 2000 e em 2023, ambas provenientes da película original em 16mm. A primeira cópia foi produzida a partir de um telecine na Funalfa (a película foi projetada e a projeção gravada em duas fitas magnéticas que depois foram copiadas para dois DVD’s de acesso ao público) e a mais recente por um scaneamento em tecnologia 3K, no Lupa UFF. Além disso, as investigações levaram em conta as fotografias tomadas diretamente dos fotogramas da tira cinematográfica em mesa enroladeira, atividade realizada durante a revisão dos filmes, também em 2023. Com isso, foi possível notar sinais do aumento da deterioração quando se compara as duas versões: em relação às manchas de fungos, aparentemente, há na versão mais atual uma ampliação da área atacada pelos microrganismos, com respectiva perda de informação imagética, das bordas para o centro do fotograma. Esse crescimento da investida dos fungos aponta para a fragilidade das películas e o quanto a materialidade delas pode ser afetada pela precariedade das ações de preservação audiovisual ao longo dos anos. Comparando as duas cópias, também percebemos que a feita em 2000 não acatou a integridade da cor de cada parte da obra: ela foi copiada toda como monocromática (preto e branco), quando, na realidade, observamos no original e na versão de 2023 que também há trechos coloridos. Conhecer esses fatos é importante, pois além de propiciar acesso mais fidedigno à obra, respeitando as escolhas narrativas e estéticas do realizador no momento da filmagem, montagem e das primeiras exibições em âmbito familiar, impacta diretamente nas práticas de acondicionamento, conservação e no tempo de vida útil do rolo, já que os processos de deterioração da película colorida e monocromática são diferentes. As informações técnicas, correlatas e descritivas da obra compiladas durante a detalhada revisão manual fotograma a fotograma e disponibilizadas na base de dados on-line do acervo do Lupa UFF, o comparativo entre as versões hoje acessíveis e as fotografias tomadas dos fotogramas poderão ser utilizados como documentação para análises posteriores sobre o comportamento da vida arquivística do rolo preservado de Batisado Dyonée Casa de Saúde e Maternidade e, quiçá, servir de modelo para outros estudos com filmes domésticos dos arquivos brasileiros, ampliando as pesquisas em torno da história, historiografia e preservação do cinema doméstico feito em bitola estreita semiprofissional/amadora. |
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| Bibliografia | BLANK, Thais Continentino. Cinema Doméstico Brasileiro (1920-1965). Curitiba: Appris, 2020. |