ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A temática “civil-militar” no documentário chileno contemporâneo sobre a ditadura |
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| Autor | Ignacio Del Valle Dávila |
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| Resumo Expandido | Nesta apresentação, analisarei três documentários chilenos que abordam a participação dos civis na ditadura, produzidos na década passada, período em que essa temática atingiu seu auge. São eles El mocito (Marcela Said e Jean de Certeau, 2011), El pacto de Adriana (Lissette Orozco, 2017) e Chicago Boys (Carola Fuentes e Rafael Valdeavellano, 2015). Desde o retorno à democracia, em 1990, os cineastas chilenos que abordaram o passado ditatorial enfatizaram os aspectos relacionados às violações dos direitos humanos perpetradas pelas Forças Armadas. No início, essa produção buscava romper o silêncio em torno da memória dos crimes da ditadura, que caracterizou os primeiros anos da transição democrática (Mouesca, 2005). No entanto, ao longo das décadas de 1990 e 2000, a responsabilidade dos militares pelas violações dos direitos humanos no Chile foi progressivamente reconhecida pelo Estado chileno por meio de políticas de memória, como o Informe Rettig (1991), a Comissão Valech I e II (2003, 2004) e a criação do Museu da Memória e dos Direitos Humanos (2010). Nesse novo contexto, no meio acadêmico e entre alguns cineastas, como Marcela Said, começou a crescer o interesse em discutir a colaboração dos civis com a ditadura, incluindo políticos e grupos econômicos. Ganhava força a análise das consequências econômicas e sociais dessa colaboração, uma vez que o país manteve o sistema neoliberal imposto pelo regime ditatorial. Esse interesse cresceu após a primeira vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais (2010), pois tratava-se de um empresário que havia se enriquecido durante a ditadura. Com ele, chegaram ao governo partidos políticos que incluíam, entre seus membros, muitos civis que haviam participado da institucionalidade da ditadura (Del Pozo, 2018). Nesse contexto, para enfatizar a participação de muitos civis no regime liderado por Augusto Pinochet, começou-se a empregar o conceito de ditadura “civil-militar”. O termo provinha da Argentina, onde surgiu no calor dos debates sobre a responsabilidade dos grupos econômicos durante a última ditadura (Franco, 2016). A partir daí, difundiu-se para outros países do Cone Sul, como Brasil e Chile. No caso chileno, o conceito emergiu no debate público por volta de 2013, no contexto das comemorações dos quarenta anos do golpe de Estado, e continua em evidência até hoje, tendo um momento de auge em 2019, com o chamado estallido social – termo utilizado para se referir às manifestações contra o modelo neoliberal e a constituição da ditadura. No documentário chileno, o aumento do interesse pelo papel dos civis na ditadura está ligado aos debates públicos sobre essa mesma questão. Como veremos a partir dos três filmes analisados esse interesse perpassa tanto o documentário em primeira pessoa da segunda geração (El pacto de Adriana) quanto o documentário observacional (El mocito) e até mesmo formas mais tradicionais, como o documentário expositivo (Chicago Boys), estando, assim, presente no que poderíamos considerar como diferentes modelizações da memória no documentário (Del Valle-Dávila, Salinas, Stange, 2024). Nesse sentido, o cinema contribui para estimular o debate público e fomentar um imaginário audiovisual sobre a colaboração civil. Nesta apresentação, argumento que as principais dimensões dessa colaboração abordadas pelo cinema são, em primeiro lugar, a participação civil nos órgãos de repressão e, em segundo lugar, a responsabilidade civil na imposição do modelo neoliberal. A primeira dessas questões já foi analisada por estudos sobre os perpetradores (Dalla Porta, Sagredo, 2022); no entanto, interessa-me abordá-la a partir de uma perspectiva mais ampla, relacionada ao colaboracionismo civil, pois sustento que as figuras do perpetrador, que atuou nos porões, e do tecnocrata, que operou nos ministérios, não deveriam ser completamente dissociadas. Desse modo, analisarei como essas questões são abordadas em três documentários com propostas estéticas e discursivas diferentes. |
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| Bibliografia | DALLA PORTA, Constanza; SAGREDO, Omar. El estudio de los perpetradores de la dictadura en Chile. Sudamérica: Revista de Ciencias Sociales, n. 16, p. 76-108, 2022. Disponível em: https://fh.mdp.edu.ar/revistas/index.php/sudamerica/article/view/6011/6373. |