ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | AFLUÊCIAS: processo criativo e de autodescoberta espiritual na realização de um documentário |
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| Autor | MARIA IASMIN DA COSTA SOARES |
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| Coautor | Flávia Affonso Mayer |
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| Resumo Expandido | Entender o processo de criação de uma obra documental indígena levando em consideração a identidade e a espiritualidade como parte do processo criativo é o objetivo principal deste trabalho. Para tanto, analisamos como a espiritualidade guiou os processos de criação por meio de investigação de anotações da realizadora, roteiros e outros documentos que foram utilizados nesse processo. Para embasar essa análise, utilizamos o conceito de crítica genética (Salles, 2008), cujo objetivo principal é compreender o processo de criação artística através das pistas (documentos, manuscritos, rascunhos) deixadas pelos artistas. Também vamos utilizar teorias decoloniais de autoras como Bell Hooks (2019) e Eliane Potiguara (2019), traçando um diálogo entre arte e espiritualidade com Kopenawa (2015). O documentário Afluências é um projeto da realizadora Iasmin Soares e traz como tema principal a afetividade e sexualidade de mulheres indígenas. Além de questões que envolvem a intimidade da própria autora, o filme conta com a participação de outras três mulheres indígenas: Maria Lindinalva, Maria Bárbara e Maria Helena. Ademais, traz textos poéticos autorais em forma de locuções feitas pela realizadora. No processo criativo, a metodologia utilizada para criação dos textos do documentário foi a escrita à mão, num caderno de anotações. De acordo com a realizadora, as palavras iam saindo e sendo escritas com uma veracidade guiada pelo espiritual, na tentativa de "desentalar" um grito que estava ali guardado, passando de gerações para gerações. Isso porque, as vidas das entrevistadas e da própria realizadora (autoetnografia) foram afetadas pela colonialidade do poder, sobretudo porque o gênero não era uma categoria que nos dividia enquanto povos originários. Além da escrita dos textos, a realizadora também destaca o deciframento de sonhos, experiências intuitivas de informações que lhes eram “sopradas no ouvido”, além de um próprio tempo espiritual para organizar o processo de criação de Afluências. Ainda que não seja um meio "convencional" de criação, e sem desconsiderar que a amostra é bastante reduzida para se fazer qualquer tipo de afirmação categórica enquanto generalização referente a um grupo, o presente trabalho aborda de maneira exploratória uma dimensão importante no processo criativo de realizadoras indígenas: a espiritualidade. Trazer para a academia este debate, no âmbito das indústrias criativas é propiciar outras possibilidades às da crítica genética. Além disso, reforça a importância da produção fílmica e acadêmica serem realizadas em primeira pessoa, no caso, por uma representante de comunidades Karirí e Tabajara da Paraíba, de forma que suas narrativas e processos sejam contados a partir de suas próprias experiências e modos de fazer. |
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| Bibliografia | HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Pensamentos feministas hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. |