ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Orí: quando quilombo encontra a festa |
|
| Autor | Isabel Veiga |
|
| Resumo Expandido | Realizado por Raquel Gerber ao longo de dez anos entre Brasil e África, e na aproximação com o pensamento de Beatriz Nascimento, Orí (1989, 92min) nos convoca a refletir sobre o passado colonial escravista e a formação cultural brasileira. Disparador conceitual, sendo referenciado e retomado ao longo de todo o filme pela narração em voz over de Beatriz, o termo quilombo é utilizado tanto para afirmar a busca das origens raciais afrodiaspóricas como para evidenciar a reconstrução de modos de vida por grupos historicamente marginalizados. Através de uma montagem dinâmica que conecta imagens de África, bailes black, encontros do movimento negro, ensaios e desfiles de carnaval, arquivos históricos, paisagens naturais, rituais em terreiros, história biográfica de Beatriz Nascimento, entrevistas com pessoas atuantes nesses espaços, o filme aproxima diferentes tempos, territórios e corpos, produzindo uma relação de continuidade entre esses elementos, mas ao mesmo tempo evidenciando sua fragmentação. Religar assumindo a descontinuidade é a premissa dialética presente tanto na fala de Beatriz como na montagem da obra. Nesse gesto de aproximação entre diferentes elementos, há algo fundamental que nos interessa aqui, e que diz respeito ao entendimento das festas populares enquanto espaços de organização política. Se, historicamente, tanto a religião como a festividade popular foram colocados em campos opostos da luta política, em Orí essas manifestações são tomadas como quilombos contemporâneos. Isto é, espaços que engendram formas de organização social e de defesa, que manejam saberes, técnicas e práticas ancestrais ligados à herança afrodiaspórica. A presente comunicação faz parte de uma pesquisa em andamento que procura mapear a presença de festas populares em obras documentais, híbridas e ficcionais nacionais, investigando como as escolhas estéticas e narrativas concernente às festas se relacionam com o território, o sagrado, a comunidade e as reivindicações políticas. Essa pesquisa encontra sua gênese no filme Orí. A montagem criativa e conectiva de Orí é o que primeiro percebemos como ferramenta de ligação entre as festas, o sagrado e o político, através da justaposição de eventos dessa natureza com a voz over de Beatriz na banda sonora. Algumas questões nos guiam para seguir no desenvolvimento desta análise : Como se dá a ordenação desses elementos pela montagem? Uma outra pista para entendermos a abordagem das festas se dá pelas entrevistas, todas realizadas in loco. Qual o efeito disso? Nas cenas dos bailes blacks, terreiros e escolas de samba, como os corpos são retratados? Como a corporalidade faz aparecer a relação de pertencimento? |
|
| Bibliografia | BRASIL, André. “Tempo é o vento, vento é o tempo”: montagem cósmica em Abá. In: Catálogo forumdoc.bh.2018. Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2018. p. 150. |