ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Arte, Ciência e a Reimaginação da Amazônia: Cine Cipó na torre ATTO |
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| Autor | Barbara Barreto Marcel da Fonseca |
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| Resumo Expandido | Este trabalho propõe investigar a interseção entre pesquisa artística, ecologia decolonial e imaginários pós-extrativistas por meio da análise do projeto “Ciné-Cipó na Torre ATTO” (2019–2021), uma vídeo instalação de quatro canais criada para a exposição “Critical Zones: Observatories for Earthly Politics” (2020–2021), curada por Bruno Latour - entre outros- no Centro de Arte e Mídia em Karlsruhe, na Alemanha. O projeto foi comissionado pelo Instituto Max-Planck de Biogeoquímica, com apoio do Instituto Serrapilheira e do INPA no Brasil. A vídeo instalação promoveu um diálogo inédito entre cientistas ligados ao Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) e comunidades locais, mediado por duas comunicadoras populares de uma rádio comunitária em Vila de Boim, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Transformando temporariamente a mais alta estrutura de monitoramento climático da América Latina em uma estação de rádio comunitária, o projeto amplificou vozes locais, indígenas e ribeirinhas, criando tanto alianças quanto fricções (Anna Tsing) entre diferentes formas de conhecimento e visões de mundo. A metodologia do projeto foi pautada na escuta ativa (Silvia Cusicanqui) e na valorização do conhecimento situado (Donna Haraway), reconhecendo a resistência e o saber coletivo como formas de construção política (Verónica Gago). A análise parte da provocação de Ailton Krenak sobre a necessidade de “desaprender” narrativas dominantes sobre a Amazônia e argumenta que projetos artísticos como "Ciné-Cipó na Torre ATTO" (2019-21) mobilizam o poder do afeto para criar imagens radicais (Marie-José Mondzain) e redistribuir o sensível (Jacques Rancière), desafiando hierarquias de conhecimento e imaginários coloniais (Enrique Dussel). A apresentação refletirá sobre os desafios e potencialidades da co-produção de conhecimento decolonial por meio da arte, comunicação comunitária e colaboração científica. Além da vídeo instalação, o trabalho examinará o documentário "Suraras" (2024), produzido a partir do mesmo material bruto filmado para o projeto instalativo e concebido posteriormente como um rivermovie para projeções imersivas em salas de cinema e público mais amplo. A fala propõem comparar os dois formatos finais do projeto, examinando a transformação da vídeo instalação de 4 canais, realizada para a exposição "Zonas Críticas" (2020-21), no documentário "Suraras" (2024), que teve sua estreia na mostra Territórios, competitiva de longa metragens do 18 CineBH - Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte em 2024. Enquanto a vídeo instalação apostava em uma estética próxima ao cinéma vérité (Bill Nichols), criando uma ilusão de transparência (Ismail Xavier), o documentário recorre a estratégias meta documentais de anti ilusionismo (Silvio Da-Rin) e autorreflexividade (Trinh T. Minh-ha), transformando as tensões e fricções em linguagem. Em sintonia com o tema da Socine 2025 – "Do extrativismo de imagens ao cinema amazônico" – a proposta argumenta que projetos como Ciné-Cipó na Torre ATTO constroem imagens pós-extrativistas (Maristella Svampa) e perspectivas pluriversais (Marisol de la Cadena), imaginando futuros mais justos e compartilhados (Bruno Latour). A proposta dialoga diretamente com os Estudos Comparados de Cinema ao examinar, por meio de uma abordagem metodológica situada, as relações entre formatos audiovisuais (instalação e documentário), tradições cinematográficas (cinema observacional, terceiro cinema, metacinema), e epistemologias diversas (científica, comunitária, decolonial), produzindo uma reflexão comparativa sobre estética, política e modos de conhecimento no cinema documental contemporâneo. |
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| Bibliografia | CUSICANQUI, Silvia. Ch’ixinakax utxiwa. South Atlantic Quarterly, vol. 111, nº 1, 2012. |