ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | “Os Autos das Compadecidas” - uma análise comparada dos filmes de Guel Arraes e Flávia Lacerda |
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| Autor | Silvia Seles Peres |
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| Coautor | Marcella Ferrari Boscolo |
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| Resumo Expandido | A presente pesquisa tem como objetivo realizar uma análise comparada das duas adaptações inspiradas na peça teatral “O Auto da Compadecida”, realizadas pelos cineastas Guel Arraes e Flávia Lacerda. A análise será conduzida a partir dos conceitos de adaptação e intertextualidade propostos por Robert Stam. Para o autor, a adaptação deve ser entendida como um processo intertextual dinâmico, no qual elementos do hipotexto são reinterpretados conforme os contextos históricos e culturais da produção audiovisual (Stam, 2006). A investigação buscará compreender como os filmes abordam e ressignificam aspectos centrais da obra de Ariano Suassuna. Para isso, serão observadas as estratégias narrativas e estilísticas empregadas na transposição cinematográfica, considerando a adaptação como um fenômeno de recriação e ressignificação, e não de fidelidade ao original. A peça recebeu a primeira adaptação para o cinema por George Moura, em 1969, no filme “A Compadecida”, e ganhou uma nova releitura sob a direção de Roberto Farias com a trupe mais famosa da época, os Trapalhões, no longa “Os Trapalhões no Auto da Compadecida” (1987). Dirigido por Guel Arraes e com assistência de direção de Flávia Lacerda, o longa “O Auto da Compadecida” (2000) popularizou a peça de Suassuna, e chamou a atenção por levar mais de 2 milhões de espectadores ao cinema mesmo sem ter o caráter inédito da obra, uma vez que a obra é derivada da minissérie veiculada na TV Globo em 1999. O filme ganhou uma sequência após 24 anos, e trouxe novamente os atores Selton Mello e Matheus Nachtergaele para viver a dupla cômica de protagonistas, além de parte do elenco principal, diretor, roteiristas e equipe técnica. No dia 25 de dezembro de 2024, “O Auto da Compadecida 2” foi lançado em mais de 600 salas de cinema pelo Brasil, com co-direção de Guel Arraes e Flávia Lacerda, e teve ampla divulgação midiática e um orçamento de 30 milhões de reais, levando mais de 4 milhões de espectadores às salas de cinema (2025). Os números alcançados pelo filme são expressivos para o mercado brasileiro, sobretudo quando se pensa na bilheteria alcançada pelas produções nacionais após a pandemia (Ancine, 2023). No primeiro longa, o arco dramático é completo e possui final fechado semelhante à peça original. Já a sequência teve como desafio não se basear em uma obra direta e de continuidade escrita por Ariano Suassuna, falecido em 2014. Coube aos roteiristas Guel Arraes e João Falcão, com colaboração de Adriana Falcão e Jorge Furtado, desenvolver toda a narrativa desta sequência. Além do desafio narrativo, a estética naturalista do primeiro longa, filmado na cidade de Cabaceiras, contrasta com a estética utilizada na sequência, recriando a Taperoá em estúdio e com uso intenso de efeitos visuais (Site G1 Paraíba, 2024). Diante desse cenário, o recorte proposto pela pesquisa busca estabelecer uma análise comparada entre os longas para compreender quais foram as escolhas estéticas feitas pelos idealizadores para a criação das duas obras, sobretudo nos aspectos relacionados ao desenvolvimento do roteiro e a construção visual dos filmes, levando em consideração os contextos mercadológicos e os recursos tecnológicos audiovisuais disponíveis para a produção das duas obras, separadas por um hiato de mais de duas décadas. Em fase inicial, a pesquisa fará extensa revisão bibliográfica e levantamento do conteúdo noticioso acerca da recepção da crítica e do público, e também realizará entrevistas com os profissionais diretamente envolvidos na criação dos dois projetos. Assim, o estudo comparativo entre O Auto da Compadecida (2000) e O Auto da Compadecida 2 (2024) contribui para uma compreensão mais profunda do processo de adaptação no cinema, oferecendo uma análise crítica sobre como as obras podem se transformar ao longo do tempo, sem perder a conexão com suas raízes culturais e com o imaginário coletivo de seu público. |
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| Bibliografia | A COMPADECIDA. Direção: George Jonas. Produção de Norcine Indústria Cinematográfica. Brasil: Alpha Filmes, 1969. DVD. |