ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Moradia e refúgio, corações em exílio: estratégias melodramáticas em Era o Hotel Cambridge |
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| Autor | André Zanarotti Adabo |
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| Resumo Expandido | O presente projeto pretende analisar a que medida o modo melodramático informa a estruturação e estética narrativa do docudrama Era o Hotel Cambridge, que narra a história ficcionalizada da ocupação de um prédio no centro da cidade de São Paulo na semana que antecede a execução de uma ordem de despejo contra seus ocupantes. A obra, que é composta pela mescla de ficção com registros documentais e entrevistas com os habitantes da ocupação, se concentra em quase sua integridade no interior do prédio e, em particular, na vida doméstica de seus militantes sem-teto e pessoas em situação de refúgio. É de interesse notar que a inclusão da narrativa nas paixões e injustiças vividas por seus personagens é articulada abertamente no argumento central do filme em defesa do direito à moradia digna e acessível como um direito humano, o que sinaliza o estabelecimento de um diálogo com o texto de Linda Williams sobre o modo melodramático em “Tales of Sound and Fury...” or the Elephant of Melodrama (2018), no qual a autora defende a leitura do melodrama como um modo narrativo que, em sua essência, almeja o alcance de uma justiça melhor. Para além disso, a inclusão e exploração de temáticas relacionadas à geopolítica internacional, na forma de personagens em situação de refúgio, permite também estabelecer um diálogo com o livro Global Melodrama: Nation, Body and History in Contemporary Film (2015) de Carla Marcantonio, no qual a autora explora a relação entre nação, melodrama e corpo frente a um cenário de globalização, no qual o fluxo de informações, produtos e pessoas tende a borrar as fronteiras simbólicas entre países e suas culturas. Evidentemente, os dois textos mencionados acima dialogam entre si no sentido que o trabalho do melodrama na construção de um imaginário de uma nação necessariamente explora questões de justiça tanto em um sentindo puramente moral quanto jurídico. Portanto, avaliar o filme Era o Hotel Cambridge como corpus à luz desses textos exige compreender como esse filme explora a sensibilidade melodramática das injustiças que permeiam a existência de suas pessoas sem-teto e/ou refugiadas, no sentido da construção e questionamento do imaginário do Brasil como nação. Para tal, a presente análise se sustenta principalmente nas asserções de Ismail Xavier quanto as alegorias nacionais no cinema brasileiro em Alegorias do subdesenvolvimento: cinema novo, tropicalismo, cinema marginal (2013). Faz-se necessário reforçar que a obra analisada toma a forma que Fernão Pessoa Ramos define como “docudrama” em Mas Afinal... O Que é Mesmo o Documentário? (2008), tratando-se de uma narrativa decididamente ficcional que alude ao mundo real, sem necessariamente fazer asserções sobre sua compreensão histórica. Para o autor, o documentário pode ser definido amplamente como filmes que fazem asserções sobre o mundo real através de imagens-câmera e estratégias narrativas indexadas socialmente como apropriadas a este gênero cinematográfico como a locução em voz-over e a entrevista. Sendo assim a presente análise utiliza a expressão “imaginação documental”, proposta por Mariana Baltar em seu livro Realidade Lacrimosa: O Melodramático no Documentário Brasileiro Contemporâneo (2019) para se referir a rede de conotações e expectativas que circundam o conceito de documentário. Para a autora, o documentário carrega consigo a noção do documento como prova científica da investigação histórica e antropológica, imputando ao modo narrativo a necessidade de se ater, mesmo que de maneira simbólica, à legitimação dos fatos por ele apresentados. Tendo essas definições por base, pode-se identificar a presença de dois modos narrativos cinematográficos distintos em Era o Hotel Cambridge que estabelecem uma relação dialética que informa a leitura do filme como um todo. |
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| Bibliografia | REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS |