ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Um balanço histórico sobre os festivais brasileiros de cinema documentário dos anos 1990 |
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| Autor | Juliana Muylaert Mager |
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| Resumo Expandido | Desde os anos 1990, os circuitos de festivais de cinema no Brasil passaram por um processo de transformação que combinou o aumento no número de festivais e a diferenciação dos eventos. Embora festivais criados nas décadas anteriores tenham se dedicado ao cinema documentário (e etnográfico), os eventos surgidos nos anos 1990 caracterizam um processo de especialização que descola o documentário do curta-metragem, de bitolas específicas/alternativas como o super 8 e do cinema amador. No presente trabalho, buscamos realizar um balanço histórico/historiográfico dos eventos de documentário nos circuitos festivaleiros dos anos 1990. Nosso recorte contempla três festivais: a Mostra Internacional do Filme Etnográfico criada em 1993, o É Tudo verdade, de 1996; e o Fórumdoc – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de 1997. Por festival de documentários, entendemos os eventos audiovisuais que colocam esse cinema no centro de sua programação e de seu modo de auto-denominação, considerando tanto a forma como o festival constrói a própria imagem, como o nosso olhar enquanto pesquisador propondo categorias a partir do trabalho de investigação. Assim, reconhecemos nesses três eventos o esforço para criação de um espaço relevante para o documentário no país. E a partir deles, procuramos traçar algumas características para pensar esse subcircuito e seu ecossistema (Vallejo, Peirano, 2022), como a relação com o cinema etnográfico, a conexão com os museus e arquivos e os elos com a universidade. Analisando as características gerais de cada um dos três festivais, buscamos identificar os modelos de evento que mobilizam, e os desdobramentos para o perfil curatorial e para os modos de imaginar e definir o cinema documentário. Mais do que propor uma história dos festivais de documentário no Brasil do período, nossa intenção é que o trabalho realize uma reflexão sobre os modos e condições de escrita dessa história. Desse modo, nos interessa colocar em debate o arcabouço teórico-metodológico dos estudos voltados para as mostras e festivais de cinema e audiovisual, fazendo eco às proposições de Antoine Damiens em Curating queerness (2020) para uma crítica e expansão dos Film Festival Studies. Em diálogo com o exercício crítico de Damiens (2020), procuramos colocar nossos próprios dilemas enfrentados na relação entre os festivais brasileiros que estudamos, a bibliografia sobre os festivais e a construção de uma abordagem a partir da história (como disciplina). Nesse sentido, o trabalho também representa uma revisão de questões trabalhadas pela pesquisadora em outros momentos (Muylaert Mager, 2019; 2021) e um esforço de diálogo com uma bibliografia sobre os festivais brasileiros no período recente, com os artigos de Carla Italiano (2022), Adriano Garrett e Schvarzman (2022), Cezar e Costa (2021), entre outros. |
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| Bibliografia | Damiens, Antoine. LGBTQ Film Festivals: Curating Queerness. Amsterdam University Press, 2020. |