ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A infância como território do insólito: trauma e amadurecimento em Dorm: O Espírito (2006) |
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| Autor | Pedro Henrique Alves Silva |
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| Resumo Expandido | O cinema tailandês de horror conquistou visibilidade internacional nas últimas décadas, destacando-se por suas abordagens singulares do sobrenatural e por incorporar elementos culturais e religiosos próprios em suas obras. Entre estas produções, Dorm: O Espírito (2006), dirigido por Songyos Sugmakanan, apresenta uma perspectiva instigante ao combinar horror e narrativa iniciática (Lopes, 2008), estabelecendo o fantástico como mediador privilegiado para a representação de experiências infantis. Esta pesquisa propõe analisar como o filme mobiliza elementos do insólito ficcional para articular questões relacionadas ao abandono, luto e memória sob a perspectiva da infância. Ao contrário de muitas produções do gênero que posicionam crianças como fontes ou vítimas do horror, Dorm as situa como agentes ativas na negociação com o sobrenatural, criando uma narrativa onde o elemento fantasmagórico funciona como memória de traumas infantis passados. O filme, ambientado em um internato tailandês, narra a história de Ton (Charlie Trairat), um garoto enviado contra sua vontade a um colégio interno tradicional. Isolado de sua família e enfrentando um ambiente hostil, o protagonista desenvolve uma amizade com Vichien (Sirachuch Chienthaworn), um misterioso colega que, posteriormente, revela-se um fantasma. A partir dessa relação, a obra entrelaça elementos sobrenaturais com questões cotidianas do amadurecimento como, por exemplo, bullying, relações de amizade e confronto com figuras de autoridade. A investigação será estruturada em três eixos complementares: 1) Análise dos elementos do insólito que caracterizam a narrativa, examinando como tradições fantasmagóricas tailandesas são reconfiguradas para abordar experiências infantis. Serão consideradas as manifestações visuais e sonoras do sobrenatural, assim como suas relações com a representação dos espaços físicos (piscina e dormitórios) como territórios liminares entre o ordinário e o fantástico; 2) Investigação da representação da infância como fase da vida liminar particularmente suscetível ao fantástico, analisando como a narrativa posiciona a criança como mediadora privilegiada entre mundos. Serão examinadas as manifestações da sensibilidade infantil e os mecanismos de adaptação desenvolvidos pelos personagens para lidar com o sobrenatural e com adversidades do cotidiano; e 3) Estudo da maneira como Dorm dialoga tanto com tradições do cinema tailandês de horror quanto com convenções internacionais do horror infanto-juvenil, criando uma obra híbrida distinta. A pesquisa se fundamenta teoricamente no conceito de liminaridade (Turner, 1974), nas reflexões de Todorov (2017) sobre o fantástico, e em pesquisas sobre o horror infanto-juvenil (Antunes, 2020; Lester, 2021). Também dialogará com estudos sobre cinema tailandês de horror (Ancuta, 2011; Gardenour, 2012) e com teorizações específicas sobre representações da infância em narrativas de horror (Lennard, 2014). Dorm apresenta uma narrativa onde o monstro não é meramente um recurso para provocar medo ou repulsa, mas um dispositivo para elaborar questões próprias da experiência infantil. Ao analisar como o filme articula o insólito para representar os traumas e descobertas da infância, esta pesquisa busca contribuir para a compreensão das potencialidades do horror infanto-juvenil em acessar dimensões da experiência humana que resistem à representação realista. Além de se inserir no campo emergente das análises do insólito ficcional em obras infanto-juvenis, este estudo contribui para ampliar as perspectivas dos estudos brasileiros sobre produções não-ocidentais de horror. |
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| Bibliografia | ANCUTA, Katarzyna. Global spectrologies: Contemporary Thai horror films and the globalization of the supernatural. Horror Studies, v. 2, n. 1, p. 131-144, 2011. |