ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Cinematografia e memória em Reminiscências de uma viagem à Lituânia |
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| Autor | Maria Fernanda Riscali de Lima Moraes |
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| Resumo Expandido | Nos tempos atuais, percebemos um grande número de investigações audiovisuais autobiográficas, sobretudo sob forma de documentários em primeira pessoa, filmes-diário e filmes de ensaio. Jonas Mekas (1922-2019), cineasta lituano radicado nos Estados Unidos, foi um precursor desse cinema. Durante sessenta e três anos filmou fragmentos de seu cotidiano, coletando imagens com liberdade e uma aparente despretensão, mas com uma grande investigação formal, pautada pela necessidade de construção de sua memória. Mekas trilhou o percurso inverso das autobiografias que se constroem a partir de imagens de arquivo: sua prática cinematográfica constituiu-se da criação sistemática de imagens a partir do cotidiano, imagens pautadas em uma celebração da vida. Movido pelo trauma de ter sido desapropriado de sua casa e de seu país, Mekas filmava com o intuito de criar memórias futuras, algo para onde pudesse retornar. Essas imagens, guardadas durante décadas e escolhidas ao acaso, tornaram-se matéria prima para seus filmes. Apesar de constituírem diários, os trabalhos de Mekas não se guiam pela auto exposição, pelo contrário, são breves registros do que o realizador observava ao seu redor. Sua investigação formal pautava-se por alguns aspectos da memória, como a fragmentação, a imprecisão, a impermanência e a falta de encadeamento cronológico ou causal, e em termos plásticos, fugindo do bem feito, do bem acabado e da qualidade técnica. O modo como observava a vida atrelava-se ao modo como questionava a forma. Mekas tinha um caráter reflexivo sobre suas imagens, preocupando-se em desconstruir e ressignificar sua vida. O presente trabalho investiga o papel da cinematografia na construção poética e na criação de elementos de memória do filme Reminiscências de uma viagem para a Lituânia, de 1972, filme que mostra o retorno dos irmãos Jonas e Adolfas Mekas à sua terra natal, duas décadas após terem sido obrigados a deixar o país. Não se trata, portanto, de investigar a cinematografia a partir do trabalho de um diretor de fotografia munido de intencionalidade e grande conhecimento técnico no pensamento de uma visualidade específica de uma obra, mas a cinematografia como ferramenta de um diretor/realizador, que não tem nela seu objetivo último de trabalho, mas que a utiliza para construir sua poética e suas memórias nos filmes-diário. |
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| Bibliografia | GUTFREIND, C. F.; VALLES, R. “A construção da autorrepresentação nos filmes-diário de Jonas Mekas”. Revista Galáxia: São Paulo, n. 36, set-dez., 2017, p. 31-44. |