ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A crítica de cinema e o cineclubismo online: os casos do Clube Cinemafilia e do Narrativa Clube |
|
| Autor | Vinícius Oliveira Rocha |
|
| Resumo Expandido | O presente trabalho busca investigar as relações entre a crítica de cinema e a prática do cineclubismo no ambiente digital contemporâneo, observando-se os cineclubes online como uma extensão do trabalho dos críticos, além da construção de novos espaços de sociabilidade. Para isso, será feito um estudo de caso do Clube Cinemafilia, da crítica maranhense Fabiana Lima, e do Narrativa Clube, do crítico potiguar Júlio Oliveira, tomando-se como metodologia a Entrevista Semiestruturada. Entende-se aqui a crítica cinematográfica como um gênero discursivo que se apoia em recursos linguísticos argumentativos, informando o leitor sobre a obra fílmica analisada e o tema em debate, as qualidades e os defeitos evidenciados na produção e o desempenho dos profissionais envolvidos (Braga, 2013). Convenciona-se que o período áureo da crítica teve início nos anos 1950, com o surgimento de revistas como a Cahiers Du Cinéma. Antes, porém, profissionais ligados ao ramo já atuavam em diversas linhas de frente relacionadas ao cinema, incluindo-se aí os cineclubes, cujas origens podem ser rastreadas aos anos 1920, na França. No Brasil, os cineclubes se difundem pelo país a partir dos anos 1930, consolidando-se na década de 1950, como é o caso do Clube de Cinema da Bahia, em Salvador, este último coordenado pelo crítico Walter da Silveira e fundamental para a construção de uma geração de cineastas e críticos de cinema baianos (Carvalho, 2019). Segundo Bamba (2005), os cineclubes se estruturam como espaços para a manifestação espontânea de uma forma de comunicação estética compartilha e pública sobre os filmes. Embora a prática do cineclubismo tenha reduzido significativamente a partir dos anos 1980 no país, ela ressurgiu na década de 2000, estimulada sobretudo pelo advento da internet, a produção de sites e blogues voltados à prática da cinefilia e a facilidade de difusão dos filmes no meio digital. Tais transformações estão em consonância com as próprias mudanças vivenciadas pela crítica de cinema, que cada vez mais tem migrado para o ambiente digital e explorado suas potencialidades, ainda que não sem tensões (Rocha, 2023). Neste sentido, as trajetórias de Fabiana e Júlio emergem como exemplos dessas transformações pelas quais passam não só a crítica, mas o cineclubismo. Para ela, a criação do Clube Cinemafilia se deu como uma forma de se aproximar do seu público e estabelecer uma fonte de renda para seu ofício de crítica. Já segundo Júlio, o Narrativa Clube foi a maneira que ele encontrou de discutir sobre cinema com outras pessoas sem incorrer no problema da toxicidade e agressividade que permeiam redes sociais como o X/Twitter. Porém, ele não enxerga o cineclube como uma fonte de renda significativa, considerando que sua relevância se dá mais pelo seu próprio aprendizado, à medida em que estuda e prepara os materiais de discussão sobre os filmes selecionados. Isso se alinha à percepção de Fabiana sobre um dos papéis da crítica ser o institucional. Para ambos, o fato de seus cineclubes serem online é uma vantagem, pois permite alcançarem um público a nível geográfico que não seria possível no formato presencial, além da maior diversidade de opções para se assistir aos filmes. Além disso, cria-se um senso de comunidade que vai para além dos encontros, como evidenciados pelos grupos de whatsapp criados por eles para manter o contato com os membros do cineclube. Portanto, ambas as experiências de Fabiana e Júlio com seus respectivos cineclubes refletem uma faceta ainda pouco explorada da emergência do cineclubismo no meio digital, que é a relação construída com a crítica de cinema. Seja como uma fonte de renda para uma profissão historicamente precarizada ou como um espaço de sociabilidade que agrega indivíduos unidos por seu amor ao cinema, o Clube Cinefilia e Narrativa Clube mostram que o cineclubismo tem muito a ganhar com as possibilidades oferecidas pelo meio digital. |
|
| Bibliografia | BAMBA, Mahomed. A ciber-cinefilia e outras práticas espectatoriais mediadas pela |