ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Objetos que perfuram: O Punctum Barthesiano nos objetos das casas do cinema de Muylaert |
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| Autor | Maria Eduarda Lino Sande Santosouza |
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| Resumo Expandido | Essa pesquisa se propõe a investigar como o conceito de “punctum”, elaborado por Roland Barthes em “A Câmara Clara” (1980), transposto da fotografia para o cinema, manifesta-se através dos objetos das paisagens domésticas em três filmes da diretora brasileira Anna Muylaert: Durval Discos (2002), Que Horas Ela Volta? (2015) e Mãe Só Há Uma (2016). Nos três filmes, os personagens se encontram em ambiente de confinamento, distintos entre si. Privados da liberdade de circulação e presos ao espaço da casa, que além de revelar a relação dos sujeitos com o mundo, potencializa a carga expressiva dos objetos ali presentes criando a atmosfera e estética fílmica. Barthes define o punctum como “esse acaso que, [na foto], me punge (mas também me mortifica, me fere)” (BARTHES, 1980), um detalhe aparentemente banal que salta da imagem e atinge o indivíduo de forma sensível. Transpondo essa noção para o cinema, parte-se da reflexão proposta por Gilles Deleuze em “A Imagem-Movimento” (1983) e “A Imagem-Tempo” (1985), pensando a partir daí a mudança de linguagem: da fotografia para o cinema. A casa e, com ela, seus objetos cotidianos são mediadores entre os personagens e o mundo exterior, como sugere Coccia: “somos vidas que necessitam manipular e modificar tudo aquilo que está ao nosso redor para sermos felizes: não nos basta conhecer o mundo e respeitar as regras de conduta interior. […] ‘Casa’ é apenas o nome para esse conjunto de técnicas de adequação entre o si mesmo e o planeta, uma dobra cósmica que faz coincidir, por um momento, psique e matéria, alma e mundo.” (COCCIA, Emanuele. A Filosofia da Casa, 2021). Nesses filmes de Muylaert, a casa atua como um ambiente de confinamento - ora de forma explícita, como em “Durval Discos”, quando a mãe de Durval os tranca em casa para impedir que a menina Kiki volte para sua família; ora de forma velada, no caso de Val (Que Horas Ela Volta?), confinada durante a semana na casa dos patrões, em que a diferença entre os objetos de seu quarto e o restante da casa revela questões sociais e culturais; e no caso de Pierre (Mãe Só Há Uma), confinado na casa dos pais biológicos em uma casa que não escolheu e não se sente confortável, mas não pode sair — em todos esses contextos, o espaço da casa e os objetos ganham densidade dramática e sensível. Dessa forma, o estudo busca olhar para esses objetos como pontos de ruptura sensível dentro da mise-en-scène, funcionando como punctum no cinema de Muylaert. Objetos que, à primeira vista banais, assumem um papel fundamental na construção estética e na atmosfera dos filmes, trazendo à tona camadas sociais, temporais e culturais sobrepostas e atravessando tanto os personagens quanto o espectador. |
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| Bibliografia | BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Trad. Júlio Castañon Guimarães. - [edição especial] - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. |