ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | DELÍRIOS À MEIA-NOITE: UM CINE-ENCONTRO ENTRE GLAUBER E OITICICA |
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| Autor | Rodrigo Corrêa Gontijo |
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| Resumo Expandido | Este trabalho analisa o curta-metragem “À Meia-Noite com Glauber” (1997), de Ivan Cardoso, como um cine-encontro, formato que se diferencia das entrevistas tradicionais e dos documentários biográficos convencionais ao transformar o filme em um acontecimento estético. Nos cine-encontros de Ivan Cardoso, os artistas filmados não são apenas objetos de registro, mas encenam a si mesmos, improvisam e deliram, tornando-se participantes ativos de um jogo cinematográfico onde entrevista, performance e montagem se fundem em um espaço híbrido e experimental. “À Meia-Noite com Glauber” se estrutura a partir do material bruto do curta H.O. - cine-encontro de Cardoso sobre Hélio Oiticica - que se mescla com fragmentos de obras de Glauber Rocha e de realizadores do cinema marginal. A montagem fragmentada e não-linear articula cortes abruptos e sobreposições que dialogam com a eloquência e os excessos discursivos de Glauber. O Ivampirismo (CAMPOS, 1990, p.38) de Ivan Cardoso se alimenta da estética ao seu redor, se reapropria de imagens, reciclando-as e recontextualizando-as. Nesta operação, o diretor promove um fluxo sonoro e visual ininterrupto, aproximando “a estética da fome glauberiana com a vontade de comer antropofágica do Hélio Oiticica” (CARDOSO, 2008, p. 397). Declarado nas cartelas de texto como um “cineclip”, “À Meia-Noite com Glauber” funciona como uma espécie de um trailer de vanguarda que fala sobre Glauber Rocha a partir dos conceitos de Hélio Oiticica. Ao aproximar o cineasta do artista, Haroldo de Campos declarou: “este filme-invenção glauberélico/ helioglauberiano, é uma partitura de iluminuras em mosaico, belas e brutas, como pedras recém-saídas de seus geodos” (CAMPOS, 1996, p.319). Nesta comunicação, realizamos uma leitura de “À Meia-Noite com Glauber” à luz das proposições “Experimentar o Experimental” (OITICICA, 1974) e “Estado de Invenção” (OITICICA, 1979). Ao romper com as convenções e tradições do cinema documental, este cine-encontro de Ivan Cardoso exige um espectador ativo – um participador – convocando-o a um estado de invenção, a partir do qual o filme se transforma em uma experiência imersiva e delirante. |
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| Bibliografia | CAMPOS, Haroldo. Glauberélio/ Heliglauber. In: CARDOSO, Ivan. De Godard a Zé do Caixão. Rio de Janeiro: Funarte, 2002. |