ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Cinema Fantástico e decolonialidade: uma análise do filme As Boas Maneiras |
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| Autor | Rodrigo Pereira Silva Fonseca |
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| Resumo Expandido | O cinema fantástico, cuja existência ocorre no campo da fantasia e do extraordinário, recorrentemente dispõe de suas características insólitas para abordar questões que cercam as sociedades. Em seu livro De Caligari a Hitler (2009[1947]), Siegfried Kracauer argumenta que o vampiro mais famoso do cinema alemão, Nosferatu (F. W. Murnau, 1922), é um reflexo das ansiedades sociais que precederam a ascensão do nazismo. De modo semelhante, o filme Invasores de Corpos (Don Siegel, 1956) recorreu a uma trama fantástica para abordar as paranoias da Guerra Fria que afligiam a classe média americana. Se o cinema fantástico, em suas diversas modulações no campo do insólito, pode ser compreendido como sintoma de traumas e ansiedades coletivas das sociedades, questionamos: como o cinema no Brasil se utiliza do fantástico para lidar com traumas estruturais da sociedade brasileira? Assim, este estudo busca discutir como o cinema brasileiro se vale do fantástico – pelo viés do terror e do maravilhoso (realismo mágico) – para debater questões decoloniais. Para tanto, destaca como objeto de análise o filme As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil, 2018), representantes da geração do novíssimo cinema brasileiro (Oliveira, 2014). Tendo em vista que o Brasil passou por um longo processo de colonização, fundamentado na escravização e no genocídio de grupos sociais racializados, e que esses processos deixaram marcas e permanências estruturais na sociedade atual (Quijano, 2005), levantamos as seguintes indagações: De que maneira tais temáticas são abordadas pelo cinema fantástico brasileiro? Como essa produção fílmica cria discursos sobre o passado colonial brasileiro? Em especial, como o filme As Boas Maneiras se configura estética e narrativamente ao propor uma abordagem fantástica do colonialismo? O filme de Rojas e Dutra se apoia em uma narrativa baseada em elementos do folclore brasileiro (em especial, a figura do lobisomem) para questionar aspectos coloniais relacionados à classe, raça, sexualidade e gênero, enquanto trafega entre o horror e o fantástico. Partindo da perspectiva de Kracaeur (2009[1947]) que compreende o cinema como sintoma de conjunturas sociais e psicológicas das sociedades, este estudo busca explorar o filme de Rojas e Dutra como reflexo de discussões decoloniais que permeiam o contemporâneo. Entender como o cinema fantástico brasileiro se apresenta de forma singular, tanto na sua forma fílmica quanto na maneira como problematiza e debate a sua sociedade, é essencial para a construção do entendimento de que o cinema é sintoma de seu tempo, mas também é ferramenta de reflexão e resistência, capaz de promover discursos decoloniais. |
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| Bibliografia | CÁNEPA, L. L. Configurações do horror cinematográfico brasileiro nos anos 2000: continuidades e inovações. In: Série Comunicação & Inovação. 1a ed. São Caetano do Sul: USCS, 2016, v. 8, p. 121-144. |