ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Afeto e acolhimento: Trancestrais em In-Nilè |
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| Autor | Naomi Wood |
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| Resumo Expandido | Pensando na necessidade contínua das pessoas LGBTQIA+ de criar espaços para projetar desejos e nos conectar com nossa comunidade, o cinema tem a capacidade de afirmar nossa existência. O poder da representatividade já está profundamente afirmado, e a ausência de imagens é um violento apagamento. Enquanto o cinema brasileiro inclui cada vez mais personagens LGB e a cultura popular afirma que o Brasil abraça a liberdade sexual e de gênero, a representação de pessoas trans ainda é escassa. As comunidades espirituais também oferecem espaços de afirmação para pessoas marginalizadas. Na capital baiana, casas de axé acolhem pessoas afrodescendentes que buscam conexão ancestral. Através do culto dos orixás, o Candomblé inspira coletividade e interdependência necessárias para transformar passados e presentes racistas. Contudo, esses espaços — tanto o cinema quanto os terreiros — não são sempre libertadores. O cinema oferece poucas oportunidades para pessoas LGBTQIA+ se verem representadas positivamente. As pessoas trans frequentemente aparecem em situações de violência ou como personagens secundárias. Os terreiros também não são espaços idílicos para pessoas trans, que enfrentam transfobia mesmo onde todos deveriam ser celebrados pelo que o orí abençoou. O documentário "In-Nilè" (2024) intervém nos dois âmbitos ao contar histórias de três mulheres trans mães de santo em Salvador. Os diretores Deko Alves e Jener Augusto criaram um filme educativo para comunidades de fé onde encontraram transfobia, mesmo sendo aceitos como homens gays. O filme apresenta Mãe Alana de Carvalho, Mãe Thiffany Odara e Mãe Ana Vitória de Oyá e suas casas, referências para a comunidade LGBTQIA+, além de encuirar a técnica cinematográfica. Em vez de se colocarem como interlocutores, os diretores entrelaçam a coreografia da bailarina travesti Joa Assumpção com a narrativa das babalorixás como técnica de narração cuir. Essa autonarração afirma a história espiritual de cada uma, mostrando que têm casas e histórias próprias. A obra celebra a transcestralidade e todas as mulheres trans que abriram caminhos e afirmam os espaços de fé como espaços livres de preconceito e ódio. A questão da humanidade é central nessa obra didática para líderes e pessoas do Candomblé. O filme propõe a evolução dos terreiros para interpretações mais responsáveis da espiritualidade como conexão com os orixás e saneamento coletivo. A transfobia não tem lugar na espiritualidade. Os diretores buscam diálogo com o público não acadêmico para sanar a violência colonial que afirma o binário de gênero e ainda caracteriza a sociedade dominante. Seguindo os valores espirituais do Candomblé, o orixá escolhe seu orí sem perceber o sexo da pessoa e todos os seres têm relação horizontal de poder; somos todos interdependentes. Ao costurar performance com entrevistas e enfocar-se no "sentir-se em casa", os diretores convidam o público a questionar conhecimentos prévios e afirmar a humanidade de todas, todes, todos. Esta apresentação analisa "In-Nilè" no contexto da produção que abrange espaços cuir e espiritualidade afro-brasileira. Com enfoque no afeto presente nas três casas, proponho o documentário como uma quarta casa que, ao circular entre públicos diversos, lembra às pessoas trans que têm pertencimento e afirma suas existências plenas. |
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| Bibliografia | BIXA TRAVESTY. Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman. Brasil: 2018. 70 min. |