ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Carnavalizando a sala de cinema — O Grupo Estação e a celebração da cinefilia durante o Oscar 2025 |
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| Autor | Helena de Araujo Zimbrão |
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| Resumo Expandido | Este trabalho é um desdobramento de uma pesquisa de mestrado, em curso no PPGCINE-UFF, sobre o Grupo Estação, empresa exibidora e distribuidora de filmes, situada no Rio de Janeiro há quarenta anos. A pesquisa parte da hipótese de que o caráter cineclubista presente na formação do Grupo Estação é preservado até hoje, ainda que contenha novos contornos devido às suas responsabilidades empresariais. Acreditamos que essa característica está ligada à forma como a empresa se singulariza atualmente, seja pela sua curadoria de programação e distribuição; seja pela promoção de eventos como festivais, estreias, debates e festas; ou seja pela construção de uma rede de apoio composta por diferentes agentes, capaz de forte mobilização social frente às crises financeiras e jurídicas pelas quais a empresa já passou. Atualmente, o Grupo Estação possui três complexos cinematográficos: o Estação NET Botafogo, o Estação NET Rio e o Estação NET Gávea. Enquanto os dois primeiros ocupam as calçadas do bairro de Botafogo, o terceiro se localiza no último piso do Shopping da Gávea. Por meio da observação participante e da coleta de entrevistas semi-estruturadas (CAIAFA, 2007), nos debruçamos a estudar de que forma esses cinemas operam como vetores nas produções de subjetividades e sociabilidades entre diferentes agentes, tais como frequentadores, funcionários, sócios etc. (FERRAZ, 2012). Durante os meses que circundam a cerimônia do Oscar 2025, o Grupo Estação serviu-se do forte engajamento de público em torno do representante brasileiro na competição, Ainda Estou Aqui (2024), para realizar eventos de grande repercussão midiática e popular. Para este Seminário Temático, propomos uma análise centrada nos seguintes episódios, ocorridos no Estação NET Rio, uma das poucas salas de cinema de rua ainda existentes na cidade: 1) os concursos de sósias dos atores Selton Mello e Fernanda Torres, em novembro e dezembro de 2024, respectivamente; 2) a transmissão e o bolão do Oscar 2025, em março, no domingo de Carnaval; 3) a mostra de filmes brasileiros com temática carnavalesca, “Farra do Delírio”, em março de 2025. Nosso intuito é discutir como esses eventos supracitados traduzem aquilo que estamos chamando de “cinefilia celebratória” (CARVALHO, 2023), isto é, uma forma de cultuar o cinema por meio de rituais festivos, nos quais uma comunidade expressa e reforça valores identitários (FALASSI, 1987). Buscamos também refletir sobre como essa “cinefilia celebratória” pode estar relacionada com aspectos culturais da capital carioca, sobretudo o Carnaval. Segundo Simas (2021, p.108), “o carnaval de rua é um grande ritual de subversão do território pelo terreiro”. Por “terreiro”, entendemos “qualquer espaço praticado na dimensão do encantamento do mundo” (SIMAS, 2022 p.5), ou seja, locais de encontro, locais onde os sujeitos estão suscetíveis a diferentes níveis de afecções, geradas por algo ou alguém (MARTINS, 2000). Seguindo os trilhos de Mattos (2018), trabalhamos com um alargamento da ideia de festival: mais do que um evento periódico, os festivais são “fenômenos de comunicação” que propiciam “trocas simbólicas” e “experiências de cidade”. Nesse sentido, acreditamos que as atividades promovidas pelo Grupo Estação têm a capacidade de festivalizar, carnavalizar as salas de cinema, isto é, ressignificar esses espaços, transformar o território em terreiro por meio da celebração e do culto à sétima arte. |
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| Bibliografia | CAIAFA, Janice. Aventura das cidades: ensaios e etnografias. FGV Editora, 2007. |