ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | AmarElo: Do Fonograma ao Filme |
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| Autor | Matheus Jose Vieira |
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| Resumo Expandido | Este trabalho apresenta a conclusão da pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos, dedicada à análise do projeto AmarElo, de Leandro Roque de Oliveira (Emicida), com foco no documentário Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem (2020), dirigido por Fred Ouro Preto. A investigação se concentra nas passagens intermidiáticas entre os diferentes produtos do projeto – álbum fonográfico, videoclipe, show e documentário – observando como essas operações se configuram enquanto estratégias narrativas que articulam discursos estéticos e políticos. Parte-se da hipótese de que essas passagens não operam apenas como recursos formais, mas como mecanismos de construção discursiva. Com base nos conceitos de “passagens” (NAGIB, 2018) e “valor acrescentado” (CHION, 2008), o trabalho considera que som e imagem, ao transitar entre mídias, atuam como dispositivos que vinculam a narrativa audiovisual à realidade social. A intermidialidade é tratada aqui como procedimento estruturante, que rearticula os sentidos da obra e seus efeitos no campo simbólico. A análise de três músicas presentes no documentário – “AmarElo”, “Quem Tem um Amigo Tem Tudo” e “Pantera Negra” – permite observar como essas canções estabelecem conexões entre os dispositivos estéticos do filme e elementos da memória coletiva negra no Brasil. A pesquisa considera que o documentário constrói articulações entre registros diversos, como imagens de arquivo, performances, relatos e composições sonoras, estabelecendo relações com eventos históricos e com o pensamento de figuras como Lélia Gonzalez e o Movimento Negro Unificado. O trabalho mobiliza autores que discutem os processos de estereotipagem no audiovisual (HALL, 2016; STAM, 2022; MATOS, 2022), os apagamentos na memória social brasileira (CAMILO, 2021; MBEMBE, 2021) e os efeitos da intermidialidade na produção de sentido (RAJEWSKY, 2012; PETHŐ, 2009; PAIVA, 2019). A partir da noção de “necromemória” (CAMILO, 2021), compreende-se que o documentário propõe um deslocamento da narrativa histórica ao ativar lembranças silenciadas, tensionando as formas de inscrição da população negra no imaginário audiovisual. A conclusão aponta que o projeto AmarElo, ao realizar passagens entre mídias, opera um deslocamento do fonograma para a narrativa fílmica, construindo uma articulação que ativa relações com a experiência social e histórica de sujeitos negros. Esse trânsito entre formatos não se organiza apenas em função da linguagem, mas se vincula a uma estratégia discursiva que produz sentido político a partir das formas da enunciação. O documentário Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem se insere em um conjunto de produções recentes que problematizam as relações entre cinema, memória e política no Brasil, com enfoque em perspectivas negras. A intermidialidade observada evidencia um processo em que som, imagem e discurso se organizam de forma a instaurar um campo de reflexão sobre o pertencimento, a exclusão e a possibilidade de reconfiguração da história. |
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| Bibliografia | ALMEIDA, Silvio. O que é racismo estrutural. São Paulo: Jandaíra, 2019. |