ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Docentes cineastas na criação de Professoras (2024): disrupção e resistências na escola pública |
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| Autor | Eduardo Tulio Baggio |
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| Coautor | Juslaine de Fatima Abreu Nogueira |
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| Resumo Expandido | A partir do processo de realização do documentário paranaense Professoras (dir. Juslaine Abreu-Nogueira e Eduardo Baggio, 2024, 71 min.), propomo-nos a comunicar como as memórias e experiências do trabalho de quatro docentes da educação básica pública –Adélia, Ana Paula, Maria Carolina e Cristiane – foram concebidas como filme documentário. Esse filme pretendeu representar a intensa implementação de ferramentas digitais, que passaram a ocupar lugar central em práticas pedagógicas de ordem virtual, justificadas pela pandemia de Covid-19, e como tal centralidade de mecanismos tecno-virtuais precipitaram a primeira grande disrupção histórica num dos pilares da escola desde a modernidade, o modelo que sustentou as instituições escolares baseado na hierarquia e na responsabilidade do mestre na condução dos conhecimentos e das condutas (Narodowski; Campetella, 2020). Em março de 2020, tal como estava acontecendo em termos mundiais, as instituições de ensino brasileiras sofreram um corte. A escola, o maior espaço de sociabilidade da modernidade, foi interrompida e uma outra experiência se fez premente: o ensino remoto. No Paraná, seguindo os ecos do período de isolamento social, o retorno ao regime presencial colocou o trabalho docente na escola básica diante do imperativo do ensinar-aprender em modo tela e dos regimes virtuais de produção de índices e ranqueamentos na gestão escolar. Diante desse contexto, uma pergunta serviu de base para a realização de Professoras: como o cinema brasileiro se desafia a interrogar e imaginar com trabalhadoras da educação básica os espaços-tempos escolares deste período inclemente? Essa pergunta funcionou como foco de investigação criativa acerca do trabalho das professoras em dois fios narrativos. O primeiro, dado pelas cenas de uma escola sequelada por um horizonte distópico marcado por tecnologias digitais e algorítmicas, em que docentes historicizam os ordenamentos escolares que têm distanciado e pasteurizado as relações humanas, destituindo a agência e a criação da ação docente. O segundo, em cenas que miram as formas de resistência ético-política no trabalho de docência como força criativa, capaz de conceber imaginários sociais insubmissos à rendição de uma educação por demais virtualizada. Uma docência que bem poderia ser chamada “artística”. Com essa proposta de duplo percurso narrativo, o processo de criação do filme envolveu investigar como seria possível ter em tela tais trajetos a partir do diálogo experiencial com as professoras frente às câmeras e aos microfones. Para isso, foram costurados sete procedimentos fílmicos: a) entrevistas; b) encenações; c) leituras de cartas escritas pelas próprias professoras-personagens; d) materiais de arquivos; e) registros de ambientes; f) dispositivo de rememoração e g) a opção de montagem que acompanha uma personagem por vez em diferentes momentos desde a pandemia. A comunicação de pesquisa intenta apresentar esses procedimentos do fazer fílmico no documentário Professoras e tecer considerações analíticas sobre as escolhas dos mesmos enquanto encontro criativo ou da tessitura de uma rede de criação que envolve cineastas e professoras (SALLES, 1998; 2006). Em outras palavras, a comunicação volta-se para o processo criativo de cineastas tensionando a possibilidade de considerar também as professoras protagonistas do filme como tal, seguindo acepção de cineastas debatida pela Teoria de Cineastas (BAGGIO; GRAÇA; PENAFRIA, 2015). Essa consideração vem do fato de que as docentes também agiram criativamente no processo de realização do filme, notadamente pela mobilização empreendida por elas na potência política que têm como trabalhadoras da educação que insistiram em dizer que a grande questão não são as telas, as plataformas e a inteligência artificial, senão quem pensa e conduz os processos educativos ou, em suma, nas mãos de quem nossas sociedades querem delegar as responsabilidades formativas e a construção de saberes e dos vínculos humanos. |
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| Bibliografia | BAGGIO, Eduardo Tulio; GRAÇA, André Rui; PENAFRIA, Manuela. Teoria dos cineastas: uma abordagem para a teoria do cinema. Revista Científica/FAP, Curitiba: FAP, v. 12, jan./jul. 2015. |