ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Estranho Fruto: Nina Simone, narrativa policial e racismo |
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| Autor | Lucas Ravazzano de Mattos Batista |
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| Resumo Expandido | Compreendendo a força e a capacidade expressiva da canção popular quando usada em um produto audiovisual, o presente trabalho tem o objetivo de analisar uma cena do episódio Strange Fruit (temporada 2, episódio 19) da série Cold Case (2003-2010) a partir do uso da canção Strange Fruit na versão de Nina Simone na referida cena. O trabalho parte de referenciais teóricos como Piedras e Dufays (2018) ou Depetris-Chauvin (2016) que se referem a capacidade da canção popular, quando usada no cinema, em expressar pontos de vista de um determinado personagem, mudar nossa percepção da cena, além de criar relações intertextuais entre o filme no qual estão sendo usadas e o contexto receptivo construído ao redor da canção. Além disso, a pesquisa vai se valer de considerações de Michel Chion (2011) a respeito do valor acrescentado do som e como os elementos sonoros adicionam valor expressivo, bem como noções de Claudia Gorbman (1987) sobre as funções que a música pode desempenhar em um filme, desde significar emoções, até ser usada para marcar tempos e lugares. Para fazer isso, a pesquisa primeiramente irá mapear o contexto original da canção e sua trajetória usando a noção de biografia social da canção proposta por Mendivil (2013). A pesquisa parte da composição por Abel Meeropol em 1937 e o lançamento da versão de Billie Holliday em 1939, dando notoriedade à canção que foi regravada por vários artistas incluindo Nina Simone em 1965. Sua letra denunciava o linchamento de pessoas negras no Sul dos Estados Unidos e mobilizou movimentos políticos, se tornando um hino da luta contra o racismo. O passo seguinte é partir para o episódio da série e a análise propriamente dita da cena em que a canção aparece e representa a conclusão da investigação de um assassinato motivado por racismo ocorrido na década de 60. A análise parte de modelos analíticos de cinema e canção popular como o de Maia et al. (2021) e também a noção de copaganda de Baron (2023) a respeito de como séries policiais estadunidenses visam promover uma visão positiva da atuação das polícias, inclusive no que se refere ao trato de minorias, mesmo que isso não reflita a realidade de como as polícias agem de fato nos ambientes urbanos em relação a essas minorias. O esforço da análise proposta neste trabalho é articular a presença da canção com os eventos que ocorrem em cena, buscando demonstrar como a cena e os eventos nela contidos estabelecem relações entre a trajetória do caso investigado e a biografia social da canção. Desta maneira, a versão de Nina Simone serviria para evocar não só a época do caso investigado como as demandas por igualdade dos movimentos civis que representavam minorias marginalizadas pela sociedade e órgãos do Estado. |
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| Bibliografia | BARON, Peter S. When Fighting with “Monsters”: Reimagining American Society’s Response to Crime. In: The JHU Macksey Journal: Volume 4, Article 2. Johns Hopkins University. 2023 |