ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Violência e extrativismo: As encarnações dramáticas da modernidade americana. |
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| Autor | Vinicius Boni Lacerda |
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| Resumo Expandido | Este projeto de pesquisa analisa criticamente e de forma comparativa as relações entre violência estrutural e desenvolvimento capitalista no Novo Mundo, tomando como objeto central as representações ficcionais das burguesias brasileira e estadunidense nas obras cinematográficas São Bernardo (1972), de Leon Hirszman, e There Will Be Blood (2007), de Paul Thomas Anderson. A pesquisa analisa, também, os aspectos fílmicos dessas obras, destacando suas construções e personificações narrativas. Partindo do problema norteador que questiona se a emergência do capitalismo nas Américas está intrinsecamente vinculada à reprodução de figuras sociais violentas e autoritárias, o estudo busca compreender como a literatura e o cinema operam como registros críticos dessa formação histórica. A fundamentação teórica apoia-se em três eixos principais: (1) a crítica de Antonio Candido, particularmente suas perspectiva literária, tanto na formação narrativa, quanto na sociológica; (2) o marco teórico de Roberto Schwarz sobre as "ideias fora do lugar", que também versa sobre os rastros deixados do choque entre o idealismo e a materialidade dos tempos históricos escravocratas solidificados na criações socio-culturais do Brasil; e (3) as histórias críticas do capitalismo oferecidas por Jacob Gorender (para o caso brasileiro) e Howard Zinn (para o estadunidense). Essa triangulação teórica permite examinar as contradições entre a ideologia liberal-burguesa e as bases materiais escravistas/colonialistas que sustentaram o desenvolvimento capitalista em ambos os países. Este arcabouço teórico trabalhará as figuras dramáticas de Paulo Honório (São Bernardo, 1975) e Daniel Plainview (There Will Be Blood, 2007) enquanto manifestações do tempo histórico das obras, tanto nas telas quanto nas suas arquiteturas narrativas originais. Enquanto o primeiro personagem encarna as contradições de um capitalismo agrário dependente, onde a violência se manifesta na dominação pessoal e no controle da terra, o segundo representa a violência impessoal e expansionista do capitalismo industrial estadunidense, centrado na acumulação monetária. Essa distinção revela padrões estruturais diferenciados: no Brasil, uma burguesia apegada a seus traços coloniais; nos EUA, uma burguesia industrial. Ambos porém enraizados no escravismo colonialista. O estudo também busca captar como essas representações artísticas dialogam com seus contextos de produção. São Bernardo, filmado durante a ditadura militar brasileira, utiliza estratégias brechtianas para criticar as estruturas de poder, a partir da obra modernista de Graciliano Ramos. Já There Will Be Blood, produzido no contexto da Guerra do Iraque, oferece uma alegoria sobre o imperialismo estadunidense e seu projeto moderno, elaborando tanto a imagem da representação do sonho americano quanto sua desfiguração neoliberal. Sobre esse pretexto, o projeto extrai estruturas narrativas de suas correntes artísticas e de suas próprias decorrências materiais para compor uma análise sobre as trajetórias históricas de suas sociedades progenitoras. Trata-os também como parábolas críticas aos regimes expansionistas e extrativistas de suas respectivas épocas e condições de produção fílmica - duas obras de grande apoio financeiro, mas inseridas em contextos em que o cinema desempenha um papel eminentemente político. A pesquisa avança ao conectar essas análises com o cenário político contemporâneo, marcado pela ascensão de movimentos conservadores e autoritários em ambos os países. Ao revelar as raízes históricas dessas formações sociais, o projeto oferece ferramentas críticas para compreender a permanência de estruturas de dominação violentas no capitalismo atual. Conclui-se que as representações ficcionais estudadas não apenas manifestam processos históricos, mas também os criticam, demonstrando como a arte pode iluminar as contradições fundamentais do desenvolvimento capitalista no Novo Mundo e mais especialmente, nas condições do Brasil. |
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| Bibliografia | BURTON, J. The Politics of Aesthetic Distance: The Presentation of Representation in ‘São Bernardo’. Screen, Volume 24, Issue 2, March/April 1983, |