ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Construindo uma Memória Audiovisual Sapatão da Cidade de São Paulo com o Coletivo Sapatrônica |
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| Autor | Diana de Oliveira Souza Reis |
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| Resumo Expandido | Num passeio pela cartografia afetiva lésbica da cidade de São Paulo, proposta pelo coletivo Sapatrônica em seu Guia Audiovisual de memórias e afetos, evidencia-se a relevância do cinema e do audiovisual na construção de espaços e memórias para grupos subalternizados, em especial para pessoas lésbicas. O resultado do projeto, que iniciou em 2022, é o arquivamento de vivências e a elaboração de uma série de experiências sensoriais e afetivas de pessoas lésbicas na cidade, disputando a centralidade da memória e a ocupação do espaço urbano. Destacam-se como produtos dos Laboratórios de Criação os mini-docs e os vídeo poemas, que costuram memórias enquanto dão corpo às vivências dos diferentes caminhos traçados pelas pessoas que participam das obras. Por meio da análise dos curtas São Paulo: Território Sapatão (Marina Bastos, 2024); Fervo de Fancha: Direito à Ruína (Marina Bastos, 2024); Beijo Feio (Jenn Cardoso, 2024) e Um Sapatão na Caminhada (Formigão e Marina Bastos, 2024) apontam-se os dispositivos acionados pelas autoras das obras para criar suas narrativas. Entrevistas, arquivos pessoais e performances são alguns dos recursos sob os quais o coletivo lança mão para construir sua cartografia, que invoca um gesto etnográfico ao olhar para essas vivências através do audiovisual. As produções são coletivas e inspiradas em experiências pessoais. São memórias individuais que revelam fragmentos de histórias não oficiais da cidade de São Paulo, contribuindo para uma visão mais complexa do espaço urbano e refletindo sobre como a cartografia das cidades podem revelar processos de invisibilização e marginalização de determinados grupos. Para Catherine Russell (1999) “A autobiografia torna-se etnográfica no ponto em que a cineasta ou videomaker entende que sua história pessoal está implicada em formações sociais e processos históricos mais amplos” (RUSSELL, 1999, p. 276). Por este ponto de vista, entende-se neste trabalho que as produções audiovisuais do coletivo Sapatrônica, por meio do mapeamento de espaços subjetivamente políticos para este grupo, colabora com a construção de uma memória coletiva de São Paulo. A vivência sexual das personagens têm “geografia e horário” para ocupar a cidade, como destaca Rita Quadros, uma das entrevistadas de Fervo de Fancha: Direito à Ruína, evidenciando ainda que o espaço público, de forma geral, não tem acolhido as pessoas lésbicas, reforçando a importância do mapeamento dos espaços de resistência urbana. Em Beijo Feio, uma performance entre diferentes pessoas que se beijam em diversos espaços da cidade reivindica o direito às sexualidades dissidentes no centro. O aspecto social é central neste trabalho e aponta para a noção da memória coletiva enquanto processo de arquivamento, registro daquilo que é preservado e passado adiante. No campo do cinema, Ana Caroline de Almeida (2024) destaca que “há uma constante associação entre o conceito de arquivo como a produção de uma memória coletiva” (de Almeida, A. C., 2024, p. 80). A produção audiovisual acerca de figuras lésbicas reflete a necessidade do arquivamento dessas memórias no contexto da dupla in/visibilidade de corpos lésbicos (Brandão, A; Sousa, R. L., 20019), o da vivência em sociedade e o da representação no cinema e audiovisual. Este trabalho propõe, então, uma leitura das obras selecionadas enquanto contra-arquivos sapatão da cidade de São Paulo, nos termos defendidos por Almeida, para quem a ideia de contra-arquivo indica “[...] um gesto ativo de intervenção sobre essa memória, mas sobretudo [...] uma ação que chama atenção para uma estrutura de apagamento dos imaginários consensuais” (de Almeida, A. C., 2024, p. 80). Buscando preencher as lacunas da história oficial, Saidiya Hartman (2020) propõe a fabulação crítica como método em que história e imaginação são elaboradas para contornar os vazios da memória de grupos subalternizados, poética que se identifica também nos curtas selecionados para esta comunicação. |
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| Bibliografia | de ALMEIDA, A. C. (2024). Pela produção de um contra-arquivo do imaginário de freiras lésbicas no cinema e na TV. Logos, 31(1). Recuperado de https://www.e-publicacoes.uerj.br/logos/article/view/81015 |