ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Soberania Imaginativa em Disputa: A Filmes de Plástico e as Estratégias da Netflix |
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| Autor | Lia Bahia |
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| Coautor | Sheila Schvarzman |
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| Resumo Expandido | A reordenação da geopolítica do audiovisual do século XXI vem se estruturando a partir da abundância de obras, excesso de telas, novas formas de circulação e relações desiguais de poder. As plataformas de vídeo sob demanda, em especial, vêm acionando mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais globais no audiovisual. Em meio a esse quadro, no Brasil, A Filmes de Plástico, produtora de Contagem (MG), criada em 2009, a partir de projeto de alcance cultural e social que previa a inclusão de sujeitos históricos ausentes ou invisibilizados no campo cinematográfico brasileiro, gerou transformações de toda ordem. (BAHIA, 2023). Com propostas originais e distantes dos agentes tradicionais, esses atores sociais acrescentam novos posicionamentos para o direcionamento das políticas públicas para o cinema afetando narrativas e estéticas. A produtora de André Novaes de Oliveira, Maurílio Martins, Thiago Macêdo e Gabriel Martins, da periferia de Minas Gerais, como em Marte Um, de Martins, tinha um sonho, fazer cinema e se ver representado na tela. Ao longo destes anos, realizaram curtas e longas-metragens celebrados pela crítica, com projetos que fazem uso de editais de fomento e circuitos de festivais, sem abrir mão de uma ética e estética de fazer cinema que incide: na composição das equipes com maioria de não-atores, assinaturas coletivas, narrativas cotidianas no território, volume de orçamento (B.O), formas de circulação das obras, entre outros. Essa arquitetura produtiva, ancorada na temporalidade cotidiana e no território, como já se via no excepcional Fantasmas (2010), de André Novaes, e nos outros que vieram, inclusive com a indicação, em 2021 de Marte Um, pelos críticos como o filme brasileiro para concorrer ao Oscar, deu maior visibilidade à produtora, que entretanto, continuou fazendo seus filmes ao seu modo. Criou uma distribuidora própria, a Malute, arriscando um modelo pouco usual no Brasil. O anúncio da parceria com a Netflix, em momento de intensificação dos debates sobre regulação do VOD no Brasil e criação da Strima, a associação das maiores plataformas que atuam no Brasil, gerou surpresa. Ao invés de se voltar para as produtoras habituais do Rio e São Paulo, a parceria da Filmes de Plástico com a Netflix para o novo longa Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, ainda é uma “caixa preta” que dá a medida das iniciativas da Netflix para contornar e atenuar a regulação que o setor audiovisual reclama para essas empresas internacionais. Conforme analisa Rossato Fernandes (2023), as estratégias políticas da Netflix para os países ibero-americanos passam pelo reconhecimento neoliberal (Fraser), ao incluir um discurso e uma prática de atenção às pautas de diversidade e inclusão, conteúdos culturais nacionais, em sua atuação corporativa com parcerias com órgãos oficiais (Cinemateca Brasileira, por exemplo) e nos filmes da plataforma (Schvarzman, 2025). Esses procedimentos vêm amortecendo as reinvindicações de direitos dos trabalhadores que aceitam como dado o seu ‘modelo de negócio’, em busca de oportunidades de trabalho. Um longa-metragem da Filmes de Plástico expressa essa política da empresa que está alinhada à “tendências internacionais” para além dos direcionamentos das políticas brasileiras. Esse procedimento não é novo. A construção da hegemonia de Hollywood se baseou no investimento em dados e informações, construção do gosto e presença do estado promocional (Butcher, 2024). Entretanto, na atualidade a penetração se dá diretamente na exploração do trabalho e criação, pela intromissão direta na construção de narrativas produzidas no país, sobre o país, além da mineração de dados. Miramos a conjunção entre a Filmes de Plástico e a Netflix a partir da economia política e da historiografia do cinema brasileiro, acompanhando caminhos possíveis e suas reverberações éticas e estéticas no campo da produção e circulação e pela defesa da construção de uma “soberania imaginativa” (REIS, COSTA e GOMES, 2025). |
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| Bibliografia | BAHIA, Lia. Políticas públicas para o cinema e audiovisual em três atos: os movimentos do cinema e audiovisual no Brasil nos anos 2000 in Revista Espirales, Foz do Iguaçu, v. 7, n. 2, 2023, p. 27-42. |