ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Encruzilhadas em cena: O audiovisual como possibilidade de inscrições e disputas a partir de imagens |
|
| Autor | Bárbara Lima Martins |
|
| Resumo Expandido | Com a ampliação de políticas públicas voltadas para o ingresso no superior público, há uma modificação na diversidade de perfis e dinâmicas que começam a constituir e construir um “novo universo universitário”, incorporando parcelas da população que foram historicamente excluídas destes espaços como, povos do campo, população LGBTQIAP+, indígenas, negras e negros, moradores das periferias, de cidades do interior e demais comunidades dissidentes. Entretanto, mesmo com a ampliação de corpos dissidentes nestas instituições, perpetuam-se os velhos desafios como as pautas para uma permanência qualificada discente, espaços mais acolhedores e mudanças estruturais nos regimentos. De modo a reter estas desigualdades e saídas, por muitas vezes involuntárias da universidade, foram desenvolvidas políticas com diferentes formatos de ingresso e auxílio, a fim de integrar e garantir a permanência qualificada e conclusão de estudantes de classes sociais historicamente excluídas, vulneráveis e marginalizadas neste espaço. A partir destes tensionamentos, vivências e reflexões sobre as juventudes e suas formas de estar, permanecer e viver no espaço universitário que o Documentário Caminhos Abertos (2023) é imaginado. Sendo este, um dos produtos da pesquisa, intitulada “Processo de Ingresso no Ensino Superior: transições, suportes e arranjos entre jovens de universidades públicas do Estado da Bahia”, fruto do Plano de Trabalho que conduzi sobre “Juventude Universitária na Bahia: contextos culturais e expectativas”, durante minha graduação no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFRB). A pesquisa foi coordenada pelos Grupos GEPJUV da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia em parceria com o Grupo de pesquisa Trajetórias, Cultura e Educação (TRACE) da Universidade Estadual de Feira de Santana, vinculado ao Programa de Iniciação Científica- PIBIC-UFRB. Ao narrarem suas trajetórias na obra audiovisual, as vozes, corpos e imagens de Ana Carolina Reis, Marla Luisa Brito, Alisson Lima e Matheus Vinicius Ferreira se lançam com palavras e gestos de encantamento (Simas e Rufino, 2019) como flechas certeiras, que subvertem a lógica doentia e violenta do carrego colonial e se potencializam assim como Exu na multiplicação e reinvenção da vida (Rufino, 2018), e da imagens e memórias. Desta maneira, as narrativas compartilhadas sobre si são reverberadas e “provoca uma desordem, na medida em que traz o corpo para o cerne do debate político/epistemológico/educativo.” (Rufino, 2018). É nesta possibilidade de reinvenção de imagens (Flusser, 2009) no cruzo com a potência e multiplicidade dos corpos, vozes e trajetórias em movimento, que reinventamos mundos, caminhos e rotas. Advindo da ética e comunicação de Exu, o Senhor de todas as possibilidades, o documentário Caminhos Abertos compartilha estas quatro narrativas com diferentes experiencias e saberes, que, no cruzo (Rufino, 2018) se potencializa e rompe fronteiras simbólicas, estruturais e comunicacionais impostas. Assim, mais do que produtos tecnológicos, as imagens técnicas no audiovisual são um campo simbólico em disputa, onde a liberdade criativa e a reflexão ética se tornam fundamentais para reconfigurar nossa relação com o mundo. Dobra a lógica colonial em defesa do encantamento da vida, dos sonhos, vontades, desejos e da garantia de direitos básicos dignos. Sendo a comunicação, a educação e tantos outros campos importantes e potente espaços na disputa e resistência por dias e caminhos a provir das encruzilhadas. Laroyê Exu. |
|
| Bibliografia | FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Annablume, 2013. |