ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Pornotopia e Desejo Masculino Hétero no Cinema de Horror de Fauzi Mansur (1976-1986) |
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| Autor | Murilo Barbosa Simões |
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| Resumo Expandido | Fauzi Mansur realiza seus filmes no contexto cultural da Boca do Lixo, inserindo-se em um ciclo de produções denominado à sua época “pornochanchada”. O conceito foi cunhado pejorativamente pela imprensa, e incorporado pela publicidade das próprias obras, na primeira metade dos anos 1970 a partir da junção da palavra “chanchada”, referente às comédias dos anos 1940 e 1950, com o prefixo abreviado de “pornografia”, pretendendo assim designar um suposto gênero de comédias eróticas que estavam sendo produzidas em massa e atingindo grande apelo popular. Acontece, porém, que o escopo de filmes realizados pelo cineasta não compreende apenas comédias, mas também dramas, melodramas, de cangaço, históricos, musicais, de aventura, e, especialmente, de horror, gênero pelo qual ele é lembrado por seis filmes (número superado apenas por José Mojica Marins) na lista de Carlos Primati “100 Filmes Brasileiros de Horror que Devem Ser Vistos” (disponível em: https://www.imdb.com/list/ls070258047/. Acesso em: 04 abr. 2025). Este trabalho pretende investigar, ao longo deste recorte delimitado, as diferentes maneiras como um regime de verossimilhança pautado pelo absurdo parece operar sempre em favor da construção, legitimação e realização de alguma fantasia relativa à masculinidade heterossexual hegemônica. Este regime, operante em filmes de horror como "A Noite das Fêmeas" (1976) e "Sadismo - Aberrações Sexuais" (1983), age retirando os personagens do mundo comum, mergulhando-os em terrenos cada vez mais seguros, conforme as obras se desenvolvem em sequência cronológica, para a circulação e a perpetuação do desejo masculino hétero. Variáveis em seu conteúdo, essas diegeses internas aos filmes constituiriam sempre verdadeiras distopias para estes homens que as habitam, como se a vontade de uma entidade masculina extradiegética criadora regesse as regras de uma realidade onde desejos determinados circulam e se expressam. Com a progressiva adesão ao sexo explícito (devido, em parte, ao refreamento da censura e à entrada em cena do competitivo produto pornográfico estrangeiro), e com a superação, dentro da dramaturgia, das barreiras superegóicas que lhe pudessem oferecer resistência, o desejo masculino encontra a sua plena manifestação através do elemento grotesco, resposta destas produções a um público que, já familiarizado com simulações simples de atos sexuais, tende a perder o interesse e a esvaziar-se. Neste sentido, obras pornográficas como “A Seita do Sexo Profano” (1985) e "Devassidão Total até o Último Orgasmo" (1986) aparecem como exemplos de universos diegéticos hermeneuticamente fechados e entrópicos em que a vazão do desejo heteressoxual masculino imbrica-se à violência, manifestada pelo horror gráfico, para reger as regras da narrativa e o comportamento dos personagens. Aos poucos, pautado cada vez mais pelo exagero, um regime de verossimilhança que compreendemos desde os anos 1970 como pornotópica – conceito que desenvolveremos a partir dos estudos de Paul Preciado – progride e se estabelece em sua forma mais franca e reconhecível. |
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| Bibliografia | BALTAR, Mariana. Moldura narrativa como (re)designação moral e política na pornografia comercial – um exercício de análise para o papel das feminilidades em Sexo dos Anormais. Anais do Congresso Fazendo Gênero 11 - ST Olhares Pornográficos, 2017; |