ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Dos vestígios e à fabulação: videoarte, escritas de si e a pesquisa artística em Pa_Terno |
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| Autor | Márcio Henrique Melo de Andrade |
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| Resumo Expandido | Este artigo apresenta uma pesquisa artística em desenvolvimento que resultará na videoarte Pa_Terno, concebida por Márcio Andrade. O projeto parte da vivência do autor com o adoecimento e falecimento do pai por Alzheimer, explorando como as linguagens audiovisuais podem reconfigurar experiências subjetivas de perda, luto e memória em formas poéticas e críticas. A videoarte, com duração prevista entre 15 e 20 minutos, combina imagens de arquivo pessoal, trilhas sonoras autorais, animações feitas à mão e elementos ficcionais que tensionam as fronteiras entre documento e invenção. A obra propõe-se como exercício de fabulação sensível, em que o gesto de rememorar se entrelaça a estratégias de autorrepresentação, autoficção e reinvenção identitária. A pesquisa insere-se no campo das escritas de si, articulando processos criativos e investigações teóricas sobre os modos de inscrição da subjetividade na arte contemporânea. Escritas de si são aqui entendidas como práticas em que o sujeito se constitui ao narrar-se, reinscrevendo sua presença no tempo e no espaço (LEJEUNE, 1989; ARFUCH, 2010). Em PA_TERNO, a videoarte é mobilizada como linguagem capaz de expandir tais escritas, ao reunir fragmentos visuais, sonoros e discursivos que operam simultaneamente como documento e metáfora, arquivo e afeto. A composição do eu fílmico, assim, revela-se como gesto ético e estético de resistência à dissolução da memória. A metodologia empregada é híbrida, reunindo instrumentos da pesquisa acadêmica e das práticas artísticas, ancorada no ponto de vista do artista-pesquisador, que experimenta, registra e reflete criticamente sobre seu processo criativo. O projeto articula leitura e fichamento de textos teóricos, análise de obras audiovisuais, escrita de diário de criação, elaboração de roteiro e realização de experimentos práticos em vídeo e animação. Conforme Rey (2002), a pesquisa em artes visuais exige um trânsito constante entre conceitos e prática, em que as ideias se constroem a partir da experimentação e são devolvidas ao gesto criador com novos sentidos. A videoarte, enquanto meio expressivo, é abordada como campo expandido que acolhe linguagens híbridas, entre o cinema, as artes visuais e a performance. Desde os anos 1960, artistas como Rafael França, Sandra Kogut e Regina Silveira vêm explorando o vídeo como espaço de autorrepresentação (VIEIRA, 2003). Na contemporaneidade, essas produções configuram-se como zonas de invenção subjetiva, em que a imagem se torna superfície de inscrição do corpo, da voz e da memória do artista. A proposta de PA_TERNO busca dialogar com esse percurso histórico, ao acionar o vídeo como forma de elaboração simbólica da perda e do afeto, compondo um autorretrato movente e descontínuo. Para Arfuch (2010), essas formas configuram um “espaço biográfico” onde o testemunho individual adquire densidade coletiva, permitindo reconhecer-se e reconhecer o outro. No campo do cinema, autores como Bergala (1998), Macdonald (2013) e Mesquita (2007) indicam que o gesto autobiográfico se intensifica no documentário contemporâneo ao privilegiar o recorte mínimo, o cotidiano, os afetos. Tais obras deslocam a noção de verdade documental ao assumir a subjetividade como operador estético. Assim, PA_TERNO busca refletir sobre a memória, a paternidade e o apagamento, ancorando-se em uma perspectiva que reconhece o íntimo como território político e a imagem como espaço de insurgência afetiva. |
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| Bibliografia | ARFUCH, Leonor. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010. |