ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | Mulheres, Memória e Resistência: a construção de um longa-metragem documental sobre cineastas lusófonas |
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| Autor | Maria Guiomar Pessoa de Almeida Ramos |
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| Resumo Expandido | A guinada teórica nos estudos do feminino no cinema se intensifica nos anos 1970, coincide com a entrada das mulheres como realizadoras, impulsionadas por um momento singular de transformação político/social.No contexto lusófono, a Revolução dos Cravos (1974) e as Independências Africanas abrem espaço p novas cineastas e a abordagem crítica sobre gênero, memória e colonialismo no audiovisual. O movimento cinematográfico é acompanhado por publicações recentes q consolidam os Estudos de Mulheres no Cinema: trabalhos organizados por Karla Holanda, traçam panorama das cineastas e suas estratégias narrativas e estéticas; pesquisas de Mariana Liz & Hilary Owen, analisam a produção cinematográfica feminina em Portugal; estudos de Erika Balsom sobre documentário experimental e a materialidade das imagens, ampliam reflexões sobre relações entre feminismo e formas audiovisuais híbridas. A partir desse contexto teórico e histórico, esta apresentação discute a construção de uma série documental sobre cineastas lusófonas, abordando trajetórias e contribuições ao cinema contemporâneo.O projeto já conta com 14 entrevistas realizadas com 3 gerações de realizadoras que se conectam c a Revolução dos Cravos e c as Revoluções da Independência Africana. A 1ª geração, viveu o momento revolucionário de 1974-80 e participou da criação de filmes coletivos: Margarida Gil, Manuela Serra, Monique Rutler e Solveig Nordlund. Uma 2ª geração, cresceu durante esse período, sem vivenciá-lo como adultas suas obras tematizam esse momento: Susana de Sousa Dias, Margarida Cardoso, Catarina Alves Costa e a angolana Pocas Pascoal.A 3ª geração, formada por diretoras nascidas no final dos 1970s e 1980s: Raquel Freire, Cláudia Varejão, Catarina Simão,Filipa César e a guineense Vanessa Fernandes. As brasileiras Tila Chitunda, filha de refugiados angolanos que fugiram da guerra pós-independência para o Brasil, tem trajetória similar a de Pascoal, cujos pais buscaram refúgio na França. Maíra Zanun, residente em Lisboa, curadora da Mostra Internacional de Cinema Africano e fundadora da Nega Filmes. Aline Motta propõe abordagens decoloniais e explora novas formas audiovisuais, como videoinstalações. O formato da série-documental se estrutura como um filme de montagem, com grande abertura para experimentação formal, articulando gênero, memória e resistência. A proposta analisa as estratégias narrativas e formais adotadas para evitar uma abordagem didática ou ilustrativa, afastando-se de um modelo convencional de documentário televisivo ou expositivo. O objetivo é construir uma experiência que vá além do testemunho, explorando a fragmentação das imagens e sons como forma de articular diferentes temporalidades e discursos. A escolha pelo formato de série amplia as possibilidades narrativas, permitindo explorar diferentes temáticas e abordagens em episódios interligados, ao mesmo tempo em que acompanha a diversidade de trajetórias e estilos das realizadoras entrevistadas. Esse modelo possibilita que cada episódio funcione como um núcleo de reflexão, abordando aspectos específicos da produção cinematográfica feminina lusófona e suas conexões históricas e estéticas. Por fim, a série busca contribuir para um olhar crítico sobre o cinema afrolusobrasileiro no feminino, revisitando as heranças das Revoluções dos anos 1970 e das lutas anticoloniais a partir das vozes das cineastas que, direta ou indiretamente, dialogam com esses processos históricos. Com esta apresentação, pretende-se discutir não apenas a construção da série documental, mas também o seu posicionamento crítico dentro dos Estudos de Mulheres no Cinema e no Documentário Experimental. O objetivo, evidenciar como essa abordagem híbrida e não-linear pode contribuir para novas formas de representação e resistência no audiovisual contemporâneo, para isso, vamos focar 3 cineastas-artistas q exploram novas mídias e aprofundam a investigação sobre arquivos e memória: Filipa César, Susana de Sousa Dias e Catarina Simão. |
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| Bibliografia | BALSON, E and PELEG H. (eds) (2024) Feminist Worldmaking and the Moving Image. The MIT Press Cambridge. Massachusetts and London. England. |