ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | A evolução do mercado de cinema no Brasil: séries históricas como base para políticas públicas |
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| Autor | Thiago Nogueira Carvalho |
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| Resumo Expandido | Como se sabe, a informação quantitativa desempenha papel essencial na formulação e avaliação das políticas públicas, oferecendo uma base objetiva para o desenvolvimento e avaliação de ações governamentais, a partir da construção de conhecimento baseado em evidências. Séries históricas consistentes e amplas são ferramentas fundamentais para monitoramento contínuo de indicadores, verificação da efetividade das políticas e promoção da transparência. Além disso, contribuem para a pesquisa acadêmica e o desenvolvimento do mercado, ao reduzir a assimetria de informações entre os agentes econômicos e atores sociais e qualificar a tomada de decisões. Contudo, no caso do setor cinematográfico brasileiro, a informação estatística histórica apresenta-se fragmentada, descontínua e desorganizada. A falta de consistência e confiabilidade em grande parte dos dados disponíveis é agravada pelo quadro de perda irreparável de documentos e bases de dados, como ocorrido, por exemplo, no recente incêndio em um dos galpões da Cinemateca Brasileira, em 2021, onde o fogo atingiu cerca de quatro toneladas de documentos, incluindo grande parte dos arquivos da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme), do Instituto Nacional do Cinema (INC), do Conselho Nacional de Cinema (Concine) (REIS, 2021, n.p.). Diante desse cenário, o presente trabalho busca contribuir para a organização e qualificação de parte da informação quantitativa disponível, com o objetivo de constituir mais uma fonte para a preservação da memória institucional do setor e fornecer subsídios à avaliação do presente e formulação do futuro. O estudo foi realizado através de compilação de dados, pesquisa bibliográfica complementar, genealogia das fontes das informações, em suas origens, métodos e contextos de produção, e análise comparativa dos indicadores. A partir de critérios de relevância e disponibilidade de informação, foram elaboradas oito séries históricas de aspectos e componentes fundamentais para compreensão da evolução do mercado de cinema no Brasil: 1-salas de cinema, 2-salas de cinema por habitante (per capita), 3-ingressos de cinema por habitante (per capita), 4-ingressos de cinema por sala, 5-preço médio do ingresso, 6-renda de cinema no Brasil, 7-participação de mercado do filme brasileiro, e 8-filmes brasileiros lançados. Com exceção das duas primeiras séries, com números relativos à quantidade de salas de exibição no país, que remontam à década de 1930, as demais séries de dados compreendem o período mais recente de 1971 a 2024. As distintas metodologias de classificação, coleta, tratamento e disponibilização das informações entre as fontes utilizadas podem gerar diferenças nos números. Por esse motivo, nos casos em que as divergências foram consideráveis, procura-se investigar, quando possível, os distintos procedimentos utilizados na análise dos dados. O objetivo da pesquisa comparativa realizada neste trabalho foi identificar congruências e especialmente refletir sobre as discrepâncias existentes e suas possíveis interpretações. Mesmo com as limitações descritas de disponibilidade e confiabilidade das informações, foi possível descrever um panorama relativamente consistente de alguns dos principais indicadores da história recente do setor cinematográfico no Brasil. Trata-se de um trabalho inicial, ainda por ser complementado e confrontado com novos documentos e fontes de dados a serem descobertos. Nesse sentido, esse trabalho é também um estímulo à futuras colaborações e atualizações, e tem como intenção servir como mais uma contribuição para o reconhecimento não somente da importância produção de dados qualificados, mas da mesma forma, do imperativo de preservação dessas informações para a posteridade, interrompendo o ciclo vicioso e recorrente de apagamento da memória institucional do país. |
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| Bibliografia | ALMEIDA, P. S.; BUTCHER, P. Cinema, desenvolvimento e mercado. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2003. |