ISBN: 978-65-86495-12-6
| Título | La vie est belle: musical e tradições orais nos cinemas africanos |
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| Autor | Jusciele Conceição Almeida de Oliveira |
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| Coautor | Morgana Gama de Lima |
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| Resumo Expandido | “La vie est belle” (1987) é uma comédia musical filmada na República Democrática do Congo, fruto de uma parceria entre o cineasta congolês Mwezé Ngangura e o belga Benoît Lamy. O filme narra a história de Kourou (interpretado pelo músico congolês Papa Wemba) que sai do seu vilarejo para se tornar um astro da música eletrônica em Kinshasa. Ele se torna empregado, engraxate, cantor de rua e homem de confiança do gerente de uma boate, até se apaixonar por Kabibi (Bibi Krubwa). Antes de dirigir esse longa-metragem de estreia, Mweze Ngangura havia dirigido o curta “Kinshasa...ou les joies douces-ameres de la Kin-la-belle” (1983), um documentário televisivo sobre “Kin-la-belle” (como também é conhecida a cidade de Kinshasa) retratando a cidade com suas casas noturnas, edifícios, trabalhadores e, principalmente, com suas expressões musicais, da rumba às danças tradicionais, acompanhadas por comentários do pintor congolês Chéri Samba. Muito da ambiência que irá compor o filme “La vie est belle” já estava presente nessa produção, incluindo o seu principal protagonista, Papa Wemba, entrevistado na produção. Em termos de gênero cinematográfico, o filme é considerado uma comédia musical e faz parte de uma geração de cineastas africanos que, diferente de pioneiros como Ousmane Sembène, se distanciava de um cinema mais “didático e de realismo social” e acreditava que o entretenimento e o riso também poderiam ser estratégias para a construção de narrativas que permitissem ir além da reflexão crítica de aspectos sociais e políticos. Inspirar-se na dinâmica de uma cidade para construir uma narrativa era ter a oportunidade de abordar “contrastes” internos presentes na cultura, como a relação entre oralidade e letramento; as diferenças entre o espaço tradicional e as modernidades do urbano africano. É nesse contexto que o cinema surge como uma forma de (des)construir a ideia de valorização da cultura local ao reunir a tecnologia da produção de imagens com formas tradicionais da comunicação oral (Garane, 2001), como as canções que constituem o musical do filme. Desde o começo do filme, as tradições orais africanas e as músicas funcionam como condutores da narrativa, quando, por exemplo, Kotou aparece tocando sua Kalimba (um piano de dedo), instrumento característico de alguns contadores de história, até pegar carona num carro de transporte onde se escuta uma música eletrônica, demonstrando a diversidade musical desse contexto. A canção principal, cujo título é homônimo do filme (La vie est belle), opera como um leitmotif que ao surgir em diferentes momentos da narrativa, remonta a uma repetição que é característica tanto do refrão musical, quanto da oralidade. A cada repetição o sentido da letra é ressignificado pela mise en scène do filme, ampliando o sentido da expressão “Oh, la vie est belle”. Nesse sentido, percebemos que o filme, além de dialogar com as convenções do gênero musical, dada a presença de personagens que cantam e dançam em cena, também se diferencia dos demais filmes desse gênero por ser uma narrativa estruturada naquilo que Mahomed Bamba (2020), denomina de “retórica do griot”, à medida em que as canções não pontuam apenas o ritmo da narrativa, mas são parte essenciais para se compreender a história que está sendo contada. Assim, o presente resumo propõe discutir a relação entre o gênero musical e as tradições orais no filme “La vie est belle”. |
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| Bibliografia | BAMBA, M.; MELEIRO, A. Filmes da África e da diáspora: objetos de discursos. Salvador: Edufba, 2012. |